Crise na base de Lula antecedeu escândalo
Taxa de governismo caiu pouco antes de Jefferson acusar PT de comprar deputados
Dois meses antes de o termo mensalão ser cunhado pelo presidente do PTB,
Roberto Jefferson, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu a
sua maior perda de apoio na Câmara dos Deputados. As dificuldades do governo em
votações como a reforma da Previdência, em março de 2005, eram um sinal de que
já havia uma crise na base governista, que precedeu a crise política explicitada
a partir da denúncia de Jefferson.
O Basômetro (estadaodados.com), lançado em maio com dados do governo Dilma Rousseff, incorpora hoje ao seu acervo informações sobre 825 votações e cerca de 420 mil votos na Câmara nos dois mandatos de Lula. Com isso, o Estadão Dados abre aos leitores a mais avançada ferramenta para análise da atuação de parlamentares e partidos antes, durante e depois do escândalo do mensalão.
Nos primeiros seis meses após a posse de Lula, em 2003, a taxa média de governismo na Câmara foi de 79%. O índice oscilou até sofrer a queda brusca às vésperas da denúncia do mensalão, feita em junho de 2005.

Em março e abril daquele ano, o governo viu sua base de apoio na Câmara se dividir em relação a questões polêmicas como a Lei de Biossegurança – sobre plantio de transgênicos e uso de células-tronco em pesquisas – e a reforma da Previdência, que impôs restrições para a aposentadoria de servidores públicos.
Até o PT votou contra o governo em alguns aspectos da reforma. Líderes de partidos como PP, PL, PTB e PSB não seguiram as recomendações do Planalto ao orientar suas bancadas.
No bimestre que antecedeu o do escândalo, houve oito votações nominais com pelo menos 50 votos contrários ao governo de integrantes de partidos da base. Em três dessas ocasiões, o Palácio do Planalto foi derrotado.
Após a denúncia do mensalão, a taxa de fidelidade dos principais partidos da base aumentou. PDT, PV e PPS foram as exceções: se afastaram do Planalto e passaram a votar contra sua orientação. Aos poucos, porém, os dois primeiros voltaram para a órbita governista, enquanto o PPS se alinhou de vez aos oposicionistas PSDB e DEM.
O gráfico publicado nesta página mostra uma diferença clara na evolução da taxa de governismo da Câmara no primeiro e no segundo mandatos de Lula. Entre 2003 e 2006, houve oscilações marcantes – foi a época da votação dos temas mais polêmicos. Já no período 2007-2010, a taxa quase não variou.
Uma característica comum aos dois períodos é o aumento do governismo no final dos mandatos – a taxa de apoio sobe até mesmo entre os partidos de oposição. O fato pode estar relacionado às características dos projetos: em anos eleitorais, são raros os temas polêmicos que passam pelo plenário
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No bimestre março/abril de 2005, a taxa de governismo na Câmara caiu 11
pontos porcentuais em relação ao período anterior, de 76% para 65%. Daquela
época até hoje, segundo revela o Basômetro, nunca houve uma redução tão brusca
no nível de apoio ao Executivo federal.O Basômetro (estadaodados.com), lançado em maio com dados do governo Dilma Rousseff, incorpora hoje ao seu acervo informações sobre 825 votações e cerca de 420 mil votos na Câmara nos dois mandatos de Lula. Com isso, o Estadão Dados abre aos leitores a mais avançada ferramenta para análise da atuação de parlamentares e partidos antes, durante e depois do escândalo do mensalão.
Nos primeiros seis meses após a posse de Lula, em 2003, a taxa média de governismo na Câmara foi de 79%. O índice oscilou até sofrer a queda brusca às vésperas da denúncia do mensalão, feita em junho de 2005.
Em março e abril daquele ano, o governo viu sua base de apoio na Câmara se dividir em relação a questões polêmicas como a Lei de Biossegurança – sobre plantio de transgênicos e uso de células-tronco em pesquisas – e a reforma da Previdência, que impôs restrições para a aposentadoria de servidores públicos.
Até o PT votou contra o governo em alguns aspectos da reforma. Líderes de partidos como PP, PL, PTB e PSB não seguiram as recomendações do Planalto ao orientar suas bancadas.
No bimestre que antecedeu o do escândalo, houve oito votações nominais com pelo menos 50 votos contrários ao governo de integrantes de partidos da base. Em três dessas ocasiões, o Palácio do Planalto foi derrotado.
Após a denúncia do mensalão, a taxa de fidelidade dos principais partidos da base aumentou. PDT, PV e PPS foram as exceções: se afastaram do Planalto e passaram a votar contra sua orientação. Aos poucos, porém, os dois primeiros voltaram para a órbita governista, enquanto o PPS se alinhou de vez aos oposicionistas PSDB e DEM.
O gráfico publicado nesta página mostra uma diferença clara na evolução da taxa de governismo da Câmara no primeiro e no segundo mandatos de Lula. Entre 2003 e 2006, houve oscilações marcantes – foi a época da votação dos temas mais polêmicos. Já no período 2007-2010, a taxa quase não variou.
Uma característica comum aos dois períodos é o aumento do governismo no final dos mandatos – a taxa de apoio sobe até mesmo entre os partidos de oposição. O fato pode estar relacionado às características dos projetos: em anos eleitorais, são raros os temas polêmicos que passam pelo plenário
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