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Obama: EUA não discutiram programa nuclear com Pyongyang

Libertação de Kenneth Bae e Matthew Miller foi conduzida por James Clapper, diretor da Inteligência Nacional

O presidente americano, Barack Obama, e a presidente sul-coreana, Park Geun-hye
O presidente americano, Barack Obama, e a presidente sul-coreana, Park Geun-hye (AFP)
O presidente americano Barack Obama afirmou nesta segunda-feira que seu governo não tratou sobre o programa nuclear da ditadura de Kim Jon nas negociações com a Coreia do Norte para libertação de dois americanos que estavam presos em Pyongyang. A operação de soltura foi feita de forma sigilosa e envolveu a visita de James Clapper, diretor de Inteligência Nacional, à Coreia do Norte. Ele foi a autoridade dos Estados Unidos de mais alta patente a visitar o país em mais de uma década.
Leia também: Coreia do Norte liberta um dos três americanos presos
Segundo a rede CNN, Clapper não se encontrou pessoalmente com Kim Jong-un, mas levou a Pyongyang uma carta de Obama endereçada ao ditador. No documento, classificado por fontes do governo de “sucinto e direto ao ponto”, o presidente americano apresentava Clapper como seu “enviado pessoal” nas negociações para libertação dos prisioneiros americanos. De acordo com Obama, o contato entre oficiais dos dois países “não tocou nos principais pontos que caracterizam nossa preocupação primária quando o assunto é a Coreia do Norte”. Não foram discutidos detalhes sobre o programa nuclear mantido pelo regime de Kim Jong-un.
As declarações de Obama foram feitas durante um encontro bilateral com o primeiro-ministro australiano, Tony Abbot, em Pequim. O presidente se encontra na China para participar da 22ª Cúpula de economias do fórum Ásia-Pacífico (Apec). Para Obama, a operação de soltura dos americanos é uma “boa história para os noticiários”, mas insistiu que ainda existe um “conflito fundamental” com relação à capacidade nuclear norte-coreana. O presidente disse que “pequenos gestos como a libertação desses indivíduos” possibilitarão “um entendimento melhor” por parte da Coreia do Norte de que os países da região consideram uma prioridade a prevenir que a região da península coreana sofra com a disseminação de armas nucleares.
“Até o momento, não vimos nenhum comprometimento sério da Coreia do Norte para lidar com este problema”, acrescentou Obama. Também nesta segunda-feira, a Coreia do Sul foi obrigada a disparar mísseis de alerta após um barco patrulheiro de Pyongyang se aproximar de sua fronteira, relatou o ministério da Defesa sul-coreano. Aproximadamente dez soldados norte-coreanos estavam dentro da embarcação.
Leia mais: China e Japão se reúnem pela primeira vez em três anos
EUA x China – A participação de Obama na Apec trouxe novidades com relação às delicadas relações diplomáticas entre Estados Unidos e China. A rede CNN reportou que os dois países concordaram em adotar uma nova e recíproca política de vistos para turistas e empresários nos próximos dez anos. O acordo permite que os cidadãos americanos e chineses possam viajar aos países com apenas um visto no passaporte durante uma década. Com a medida, a China passa a fazer parte de um seleto grupo de parceiros comerciais de Washington enquadrados nesta política, como o Brasil e diversos países europeus. Sem a decisão, os visitantes só eram autorizados a receber vistos com duração de um ano.
“Eu ouvi de chefes de comércio americanos sobre o quanto esta medida seria valiosa. E nós trabalhos duro para alcançá-la, porque ela claramente serve aos interesses mútuos de ambos os países”, afirmou Obama. Além de beneficiar transações comerciais, a medida tem o objetivo de incentivar a visita de chineses aos Estados Unidos. Menos de 2% dos 100 milhões de viajantes oriundos do país foi aos Estados Unidos em 2013.

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