De saída, Mantega diz que é preciso reduzir despesas
Às vésperas de deixar a pasta da Fazenda, ministro muda discurso e diz que 2015 será um ano de ajustes de custos
Ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa nesta sexta-feira do Encontro de Política Fiscal 2014
Em seminário em São Paulo, Mantega disse que, no ano que vem, será muito importante fazer cortes de despesas, com redução de gastos com seguro-desemprego, abono-salarial e auxílio doença – cerca de 70 bilhões de reais por ano - e pensão por morte – cerca de 90 bilhões de reais por ano. Sobre o fator previdenciário, Mantega afirmou que não há discussão sobre o tema neste momento. “Este assunto não está incluído nesse programa de redução de despesas. É uma discussão mais longa, que tem que ser feita com os segmentos interessados”, disse.
Outra medida que fará parte do ajuste fiscal no ano que vem é a redução de estímulos dados a financiamentos (crédito).
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O tema do seminário era política fiscal, uma das áreas mais deterioradas do governo e alvo de muitas críticas. Em setembro, o governo central (Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social) registrou um déficit primário de 20,39 bilhões de reais – o pior resultado para setembro desde 1997.
A meta para este ano é de 80,8 bilhões de reais (1,9% do Produto Interno Bruto – PIB), praticamente impossível de ser atingida, tanto que analistas projetam até um resultado negativo. Mesmo assim, Mantega insistiu no habitual otimismo e disse que o país registrará saldo positivo este ano - "feito que muitos países não conseguem". Para 2015, a meta continua sendo de 2% a 2,5% do PIB, mas uma revisão pode ser feita em dezembro, quando o orçamento da União é votado. “Ainda não fizemos essa revisão. Temos que avaliar à luz do cenário mais atual”, declarou.
Em relação à política monetária, Mantega disse que é importante manter o controle sobre a inflação, embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostre a incapacidade do governo em controlá-la ao divulgar nesta sexta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, continua acima do teto da meta no acumulado de doze meses, com alta de 6,59%.
Segundo Mantega, sem seca e com preços de commodities favoráveis, o país terá mais flexibilidade no ano que vem. “Assim, liberaremos mais crédito, de modo que possamos ter uma reconstituição do mercado consumidor e um certo nível de atividade do país”, disse.
Gasolina — Sobre o reajuste da gasolina, anunciado na quinta pela Petrobras, Mantega calcula um acréscimo de 0,1 ponto porcentual no IPCA no ano. Nesta quinta-feira, a Petrobras anunciou que reajustará o preço de venda da gasolina em 3% e o do diesel em 5% nas refinarias, a partir da zero hora desta sexta-feira. O aumento, esperado pelo mercado, é considerado pequeno frente às necessidades da estatal e às perdas acumuladas no ano. Questionado se o reajuste é suficiente, Mantega se limitou a dizer que “não discute o preço da gasolina nem a situação da Petrobras”.
Novo ministro – Mantega também se recusou a comentar as especulações em torno de seu futuro sucessor, que deve ser anunciado por Dilma após a cúpula do G20, que acontece na Austrália, nos dias 15 e 16 de novembro. Entre os possíveis candidatos estão o ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
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