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Israel adia invasão a Gaza para dar tempo a negociações


Decisão, segundo imprensa local, reflete pressão, especialmente dos EUA, para governo do premiê israelense Benjamin Netanyahu buscar saída para conflito

 
Tropas de Israel na fronteira com a Faixa de Gaza aguardam para possível invasão
Tropas de Israel na fronteira com a Faixa de Gaza aguardam para possível invasão - AFP

O governo de Israel decidiu adiar o início de uma incursão terrestre na Faixa de Gaza para dar tempo aos esforços de mediação destinados a alcançar um cessar-fogo no recente conflito com o grupo terrorista Hamas, informa a imprensa israelense nesta terça-feira, o sétimo dia da crise. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, vão à região do conflito para tentar selar o acordo da trégua.


A decisão de adiar a invasão foi tomada pelo Gabinete de Segurança, integrado pelos nove principais ministros israelenses, que analisaram até a madrugada se aceitavam a proposta egípcia de trégua ou se consideravam outras opções. Ao término da reunião não houve comunicados oficiais, mas a imprensa israelense destaca que a decisão de adiar a entrada por terra na Faixa de Gaza se deve à forte pressão exercida sobre o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, especialmente por parte dos Estados Unidos, para que busque uma saída para o conflito.

Em sete dias, a ofensiva militar batizada de "Pilar de Defesa" já deixou ao menos 105 palestinos mortos e mais mil feridos, a metade deles civis. Por outro lado, três civis israelenses morreram desde a última quarta-feira, quando a operação foi iniciada com a morte do chefe militar do Hamas, Ahmed Jabari.

ONU – O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chega nesta terça-feira a Israel, onde se reunirá em Jerusalém com Netanyahu e com o presidente israelense, Shimon Peres. Ele também irá à cidade de Ramala, na Cisjordânia, para um encontro com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

O objetivo de Ban é reforçar a proposta de uma trégua. Nesta segunda, ele esteve no Cairo, onde conversou com as autoridades egípcias que lideram a mediação do conflito. Além da presença do secretário-geral das Nações Unidas, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, é aguardada nesta terça na região para apoiar os esforços de mediação internacionais e reunir-se com Netanyahu e Abbas, segundo a imprensa local. Hillary, que estava no Camboja acompanhando uma visita à Ásia de Barack Obama, foi designada pelo presidente para viajar ao Oriente Médio em busca de uma solução para o conflito.


Expectativa – Segundo uma fonte do serviço secreto egípcio ouvida pela agência EFE, o governo do presidente Mohamed Mursi espera que Israel e o grupo Hamas alcancem uma trégua nas próximas 72 horas. A fonte, que pediu anonimato, explicou que há uma aproximação entre os dois lados quanto à proposta de cessar-fogo apresentada por uma delegação israelense ao corpo de inteligência egípcio.

Israel é partidário de uma trégua duradoura e deseja que o Egito seja o fiador do seu cumprimento, enquanto as facções armadas palestinas, lideradas pelos radicais do Hamas, pedem o fim prévio dos bombardeios e dos ataques seletivos e o levantamento do bloqueio a Gaza.

O líder máximo do Hamas, Khaled Meshal – que vivia exilado na Síria e recentemente se mudou para o Catar – esteve nesta segunda no Cairo e afirmou a repórteres que Israel deve ser o primeiro a suspender suas operações militares, iniciadas seman passada com o assassinato do chefe militar do grupo terrorista, Ahmed Jabari. Israel afirmou que Jabari foi morto por causa de suas atividades terroristas ao longo de uma década.

Irã – O presidente de Israel, Shimon Peres, disse na noite desta segunda-feira que o Irã encoraja os militantes do Hamas a continuar com os ataques de foguetes a Israel ao invés de negociar um cessar-fogo, afirmando que "eles estão fora de si". Ao mesmo tempo, Peres elogiou o presidente do Egito, Mohamed Mursi, pelo papel construtivo que desempenhou com a intensificação da crise e por se engajar em negociações por uma trégua.


Reprodução/TV
O presidente israelense, Shimon Peres, em entrevista à CNN
O presidente israelense, Shimon Peres.

"Desagradáveis são os iranianos. Eles estão tentando encorajar novamente o Hamas a continuar o tiroteio, o bombardeio, estão tentando enviar armas para eles," disse Shimon Peres em entrevista à rede americana CNN. Ainda sobre a república islâmica, o chefe de estado israelense afirmou: "Não vamos entrar em guerra com o Irã, mas estamos tentando evitar o carregamento de mísseis de longo alcance que o Irã está enviando ao Hamas."

"O Irã é um problema, um problema mundial, não apenas como um perigo nuclear, mas também como um centro de terror mundial. Eles financiam, treinam, enviam armas, incitam, nenhuma responsabilidade, nenhuma consideração moral", prosseguiu Peres. Questionado se uma invasão a Gaza era inevitável, o presidente israelense disse que ele tem esperança que haverá um cessar-fogo. "As negociações continuam. É difícil para todas as partes, mas (as conversas) não terminaram e a melhor opção para todos nós é parar de atirar".

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