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Carlinhos Cachoeira deixa o presídio da Papuda, no DF


Justiça determinou, na noite de terça-feira, a libertação do contraventor, condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto

Empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é escoltado após interrogatório na Justiça do Distrito Federal
Empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é escoltado após interrogatório na Justiça do Distrito Federal

O bicheiro Carlinhos Cachoeira foi solto à 0h03 desta quarta-feira, depois de passar quase nove meses preso. O contraventor deixou o presídio da Papuda, em Brasília, sem falar com a imprensa, no banco do passageiro de um carro dirigido por um de seus advogados. A juíza Ana Claudia Barreto, da 5ª Vara Criminal do Distrito Federal, havia determado na noite de terça-feira a libertação do bicheiro, cujas atividades motivaram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional. O alvará de soltura foi emitido às 19h01.

A expedição do alvará ocorreu após a juíza do Tribunal de Justiça do Distrito Federal ter confirmado a condenação de Cachoeira a cinco anos de reclusão em regime semiaberto pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência. A sentença se refere às atividades do contraventor em esquemas criminosos no Distrito Federal, investigados pela Operação Saint Michel, desencadeada pela Polícia Civil do DF. O advogado do bicheiro, Antonio Nabor Bulhões, disse que a defesa pretende recorrer da sentença. "Estamos convictos de que ele não praticou nenhum dos crimes pelos quais foi condenado", afirmou. "Agora, ele tem o direito de recorrer em liberdade." Bulhões informou que agora Cachoeira vai seguir direto para Goiânia.

A mulher do contraventor, Andressa Mendonça, chegou ao presídio às 22h35 para acompanhar o processo de soltura. "Estou muito feliz com a libertação dele", disse, antes de entrar na penitenciária.

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Para os policiais, o bando de Cachoeira tentou fraudar o sistema de bilhetagem eletrônica do transporte público na capital federal, tentando infiltrar uma empresa sul-coreana na empresa pública de transporte do Distrito Federal e, com isso, obter 50% dos lucros do contrato de bilhetagem.

Paralelamente à decisão de soltar Cachoeira, a defesa do bicheiro já havia impetrado um novo pedido de habeas corpus para garantir sua liberdade. No entanto, um pedido de vista interrompeu a conclusão do caso. Com a autorização de liberdade decretada ontem, na retomada do outro julgamento, a solicitação deve ser declarada prejudicada.

Monte Carlo – Carlinhos Cachoeira foi o protagonista da Operação Monte Carlo, que revelou que o esquema de contravenção que atuava para corromper empresas e governos estaduais em proveito do esquema criminoso. Os braços da quadrilha envolviam a construtora Delta, uma das maiores empreiteiras com maior contrato junto ao governo federal.

No périplo judicial do bicheiro goiano, sua principal batalha era tentar anular os grampos telefônicos que desvendaram a relação próxima de governos estaduais, como o de Goiás, e de empresas laranjas no esquema criminoso relevado por escutas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal. Se consideradas ilegais as interceptações, feitas com autorização da Justiça, os réus presos seriam libertados por falta de base para acusação. O Tribunal Regional Federal da 1º Região, em Brasília, considerou todos os grampos dentro da lei.

A partir da denúncia anônima de um esquema ilegal de exploração de jogos, o Juiz de Direito da 1ª Vara de Valparaíso de Goiás havia autorizado a quebra dos sigilos telefônicos de Carlinhos Cachoeira e de seus comparsas, garantindo a investigação.

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