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Argentina tem primeira greve geral em 10 anos


Trabalhadores exigem uma compensação pela alta inflação argentina, que pode chegar a 25% neste ano

BUENOS AIRES - Desde a madrugada desta terça-feira, 20, as alas "rebeldes" da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) protagonizam a primeira greve geral sofrida pelo governo da presidente Cristina Kirchner. Os sindicalistas paralisaram a maior parte do sistema de trens, um setor dos ônibus de transporte urbano, além de uma suspensão parcial do sistema de metrôs.
No entanto, para compensar a paralisação total nos transportes, os sindicatos - especialmente o dos caminhoneiros - realizam piquetes nas principais avenidas portenhas, além de bloquear a maioria dos acessos viários à capital argentina. A greve será encerrada nesta terça-feira, 20, à meia-noite (1h pelo horário de Brasília).



As escolas, trabalhadores bancários e o funcionalismo público também aderiram à greve. A coleta de lixo está paralisada.
Aeroportos
Os voos internos da Aerolíneas Argentinas, Austral e Lan foram cancelados. Os voos internacionais continuam funcionando, embora com atrasos consideravelmente maiores que as tradicionais demoras dos dias normais no aeroporto de Ezeiza.
Pelo menos nove voos entre Buenos Aires e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, foram cancelados até a tarde de hoje - cinco da Aerolineas Argentinas e quatro da Lan. Voos de outras companhias aéreas seguem operando normalmente.
Os sindicalistas - que acusam a presidente de ter traído a política econômica "nacional e popular" de seu marido e antecessor, Nestor Kirchner (2003-2007) e os ideais peronistas - exigem aumentos salariais superiores a 25% (em alguns casos, de até 30%).
Os sindicatos afirmam que só dessa forma poderão compensar as perdas de pode aquisitivo causadas pela inflação. No entanto, o governo Kirchner sustenta que não existe uma escalada inflacionária e afirma que a inflação do ano passado foi de apenas 8,9%. Na contra-mão, economistas, associações de defesa dos consumidores e sindicatos afirmam que foi superior a 25%.
Os analistas indicam que mais além do impacto da paralisação, esta greve tem o valor simbólico de ser a primeira realizada por peronistas contra a também peronista Cristina. Seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), nunca foi alvo de uma greve geral, já que os sindicatos estavam de seu lado. O também peronista Carlos Menem (1989-99) passou incólume em seu primeiro mandato. Mas, no segundo governo, embalado pela recessão e o aumento do desemprego, foi alvo de três greves gerais.
O governo de Cristina Kirchner, enquanto isso, ignora a greve desta terça-feira. O chefe do gabinete de ministros, Juan Abal Medina, afirmou categórico em tom depreciativo: "não é uma greve...é apenas um grande 'piquetaço' nacional". Outros integrantes do governo acusaram os sindicalistas peronistas de tentar "desestabilizar" a administração Kirchner, além de defini-los de "golpistas".

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