MP investiga atuação da ANP e CVM no caso OGX, de Eike
Inquérito apura se houve irregularidade nas atuações dos órgãos em favorecimento da petrolífera
Acionistas minoritários acusam a OGX e seu controlador de ter induzido pessoas comuns a investirem na empresa ao publicar comunicados sobre o altíssimo potencial de suas descobertas (Ferna Cavalcanti)
O procurador Márcio Barra Lima menciona a posterior alteração no plano de desenvolvimento da sociedade empresária, com a suspensão da produção em campos de petróleo, antes considerados de elevado potencial exploratório. Em recuperação judicial, a petroleira está no olho do furacão desde que revelou a intenção de cessar em 2014 a produção do campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, que vinha conduzindo as estimativas otimistas.
Acionistas minoritários, que viram o preço da ação da petroleira desabar do pico de 23,27 reais a poucos centavos, acusam a companhia e seu controlador de ter induzido pessoas comuns a investirem na OGX ao publicar centenas de fatos relevantes e comunicados, além de notícias, dando conta do altíssimo potencial de suas descobertas e da declaração de comercialidade (jargão que indica que uma área pesquisada vai virar um campo produtor) de seus blocos.
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Apesar de estar conduzindo investigações sobre o grupo X, a CVM vem sendo taxada por investidores de negligente, por supostamente não ter agido quando a luz amarela se acendeu sobre a OGX. Uma das críticas é que o regulador não detectou a divulgação excessiva de projeções como promessa de desempenho. Já a ANP saiu com a imagem arranhada por ser a responsável por aprovar os planos de desenvolvimento de campos de petróleo. Também deixou passar as declarações de comercialidade antes que fossem feitos testes de longa duração, capazes de confirmar se o poço teria produção contínua. Segundo a ANP, a declaração de comercialidade é uma decisão unilateral das companhias.
Procurada, a agência reguladora disse que quando for solicitada, a ANP colaborará com a investigação do Ministério Público. A CVM informou que já prestou todas as informações requeridas no inquérito e que continua à disposição e em permanente interação com o MPF. No inquérito, Barra Lima pede informações sobre seis processos em que a CVM investiga a OGX e seus executivos.
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