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Norte-coreanos juram lealdade após execução de tio de Kim Jong-un

Pyongyang organizou parada militar que envolveu dezenas de milhares de soldados para mostrar fidelidade das tropas ao ditador

Dezenas de milhares de soldados norte-coreanos mostraram nesta segunda-feira em Pyongyang sua lealdade a Kim Jong-un em um ato para reforçar a unidade em torno do ditador, dias depois da execução de seu tio Jang Song-thaek, acusado de traição. Os soldados carregavam uma faixa vermelha com letras brancas em coreano com o lema: “'Mantemos em alta estima o camarada Kim Jong-un como o único centro da unidade e da liderança”, segundo as fotografias publicadas pela agência estatal do regime, KCNA.

A concentração, que aconteceu em frente ao Palácio de Kumsusan, é um ato aparentemente destinado a proteger o líder e fortalecer a unidade do exército, um dos pilares do regime. O ato ocorre uma semana depois que o governo da Coreia do Norte executou Jang Song-thaek, ex-número dois do país e tio do ditador Kim Jong-un. De acordo com a imprensa estatal, Jang foi executado por vários crimes, entre eles tramar uma conspiração contra seu sobrinho. O meio de comunicação estatal também destacou que o tio do líder tinha criado uma facção política que discordava da linha majoritária do regime.

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A imprensa norte-coreana vem sendo usada no país para pedir à população que mantenha a “unidade ideológica e siga sem hesitações o líder supremo, Kim Jong-un”. Analistas acreditam que a Coreia do Norte poderia sofrer algum tipo de instabilidade política após a execução de Jang e o expurgo de seus partidários. Eles também destacam que a concentração dos militares foi no Palácio de Kumsusan, onde estão os corpos do pai e do avô de Kim. No local provavelmente ocorrerão atos de homenagem ao ditador Kim Jong-il, cuja morte completa dois anos amanhã. A imprensa estatal ainda não divulgou informações sobre a agenda desta importante data na Coreia do Norte, país que incentiva um culto extremo à personalidade de seus ditadores.
Para Bruce Kligner, analista e ex-agente da CIA responsável por monitorar a Coreia do Norte, Kim está levando o poder político herdado de seu pai e seu avô para novos níveis de brutalidade. Além de Jang, Kim substituiu o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior. “Claramente, ninguém está a salvo da ira de Kim”, disse Kligner à CNN. Segundo a imprensa sul- coreana, Kim Chol, o vice-ministro do Exército norte-coreano, foi executado no ano passado sob ordens de Kim para não deixar “nenhum traço dele, nem mesmo o seu cabelo”. Alguns relatórios – diz o analista – sugerem que ele foi executado com um morteiro, num ato de extrema violência e demonstração de força.
A fúria do ditador da Coreia do Norte contra seu tio não se limita à retirada dele do poder e à execução. À moda stalinista, Jang começou a desaparecer dos registros do Estado comunista (confira fotos abaixo). Imagens divulgadas pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul mostram que Jang teve sua figura apagada – e de maneira pouco sutil – de O Grande Camarada, um filme-exaltação em homenagem ao ditador do país. Além das imagens, todas as menções a ele – exceto aquelas que falam das condenações – também estão desaparecendo do site da KCNA.
(Com agência EFE)

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