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Michelle Bachelet vence eleições presidenciais no Chile

Socialista, que já presidiu o país entre 2007 e 2010, prometeu reformas que dificilmente conseguirá implementar no país

Michelle Bachelet mostra seu voto durante segundo turno da eleição presidencial no Chile
Michelle Bachelet mostra seu voto durante segundo turno da eleição presidencial no Chile (Reuters)
A socialista Michelle Bachelet, de 62 anos, foi eleita neste domingo, em segundo turno, presidente do Chile. Ela assumirá o cargo em março do ano que vem. “Estou muito feliz com o resultado. A partir do ano que vem vou ser a presidente de todos os chilenos e chilenas. Esperamos, para isso, contar com o apoio de todos os setores”, disse Bachelet, em declarações reproduzidas pelo jornal La Tercera.
Com quase 100% das urnas apuradas, Bachelet superou 60% dos votos, contra 37% de Evelyn Matthei, que reconheceu a derrota. O presidente Sebastián Piñera também cumprimentou a presidente eleita. A vitória de Bachelet já era aguardada, depois que ela terminou o primeiro turno, realizado no dia 17 de novembro, com mais 46% dos votos, contra 25% de Matthei. No entanto, assim como no primeiro turno, a abstenção foi alta também na segunda etapa. Menos de 6 milhões dos 13 milhões de eleitores foram às urnas, o que levou a presidente eleita a ressaltar a necessidade de fazer com que os chilenos "voltem a acreditar na democracia".
Chefe do executivo chileno entre 2007 e 2010, Bachelet já liderou um governo de esquerda que não seguiu as irresponsáveis aventuras bolivarianas que caracterizaram a América Latina no período. Ela acabou deixando a presidência com uma aprovação de 84%, mas falhou em conseguir fazer um sucessor (a reeleição de presidentes não é permitida no país) abrindo caminho para Piñera.
Saiba mais: Coalizão de Bachelet obtém maioria no Congresso, mas terá de negociar reformas
A volta da socialista foi baseada em propostas que não põem em risco a democracia, mas ameaçam o modelo econômico que colocou o país na porta de entrada no Primeiro Mundo. Ela prometeu reformar a Constituição, permitir a reeleição, eliminar o lucro na educação, promover o avanço estatal no sistema de aposentadorias, reduzir os estímulos para investidores estrangeiros e nacionais e elevar impostos às empresas.
Eleita, Bachelet deve enfrentar dificuldades para passar suas propostas. O primeiro turno, no dia 17 de novembro, também marcou as eleições legislativas. A coalizão Nova Maioria, de Bachelet, ampliou sua presença na Câmara e no Senado. Ainda assim, o número é insuficiente para que a esquerdista consiga levar adiante todas as suas propostas de reforma apenas com os deputados e senadores da sua coalizão.
Com a nova configuração no Congresso, ela só conseguiria levar adiante a reforma tributária sem a necessidade de negociar com deputados de outros partidos fora da sua coalizão. Para a reforma educacional, Bachelet vai depender do apoio de pelo menos um deputado independente para conseguir os votos necessários - esta reforma é uma demanda dos estudantes que realizaram uma série de protestos nos últimos anos para defender a educação gratuita.
Já para as reformas eleitoral e constitucional, Bachelet terá de eventualmente negociar com a direita. Essa situação ocorre porque o atual sistema vigente no país, projetado ainda durante o regime do ditador Augusto Pinochet (1973-1990), estabelece que é necessário conseguir maiorias específicas para cada reforma. Para o caso de uma reforma eleitoral, por exemplo, são necessários 60% dos votos das duas Casas (72 deputados e 23 senadores), e para o caso de reformas na Constituição, 67% dos votos (80 deputados e 25 senadores). Desta forma, Bachelet não teria outra escolha a não ser depender de seus adversários. Na Câmara, a coalizão de Bachelet conquistou 67 das 120 cadeiras, e no Senado, ficou com 21.
(Com reportagem de Jean-Philip Struck. Com agência EFE)

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