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Obama e Romney jogam as últimas fichas no debate da Flórida


Praticamente empatados, candidatos correm contra o tempo para convencer os 5% de eleitores indecisos

WAHINGTON - Depois de levar ligeira vantagem no debate de terça-feira, segundo sondagens, o presidente Barack Obama reencontrará seu rival republicano Mitt Romney no dia 22, em Boca Raton, na Flórida, no último debate presidencial da eleição americana. Os dois estão praticamente empatados nas pesquisas e o próximo encontro entre os dois é decisivo.
Obama e Romney em segundo debate presidencial - Josh Haner/The New York Times
 
Obama e Romney em segundo debate presidencial
A vitória depende da escolha dos 5% de indecisos - na maioria eleitores de classe média e mulheres - e do entusiasmo da base de ambos os partidos. Embora centrado em política externa, espera-se que no próximo debate surjam novos confrontos sobre recuperação econômica, redução do déficit e criação de empregos.
Terminado o debate de terça-feira, visivelmente satisfeito, Obama e sua mulher, Michelle, ficaram meia hora no palco cumprimentando, conversando e deixando-se fotografar com cerca de 80 eleitores indecisos escolhidos pelo instituto Gallup e pela rede de TV CNN. Romney saudou apenas algumas pessoas e foi embora com a família.
A porta-voz da campanha de Obama, Jen Psaki, teve o cuidado de não usar a palavra "vitória" depois do debate de Hempstead, no Estado de Nova York. Ela também esquivou-se de responder sobre a estratégia usada pelo presidente, que mencionou uma declaração do republicano, realizada em um evento de campanha, de que 47% dos americanos seriam "dependentes do governo". Para Obama, a essência do país é essa parcela da população. "Se eles vão bem, o país vai bem", disse o presidente, no fim do debate.
"Não importa o momento em que isso surgiu no debate. Romney é exatamente a política que ele apoia, voltada apenas para beneficiar uma pequena parte da população", afirmou Jen ao Estado. O deputado democrata Eliot Engel foi mais enfático. "Foi um golaço. O presidente esteve sensacional, muito melhor e mais articulado do que no debate anterior", afirmou, em referência ao confronto entre os dois em Denver, no dia 3.
Ron Kaufman, principal conselheiro de Romney, rejeitou que o republicano tenha saído derrotado do debate e disse que Obama esteve permanentemente pressionado por seu adversário e por sua derrota no debate anterior. "Esta eleição é uma escolha muito clara. Obama acredita no paternalismo do governo, que deve tomar conta de seus problemas, cobrar impostos. Mitt Romney é o oposto. Romney claramente venceu o debate."
Mulheres
Das 11 perguntas feitas pelos eleitores indecisos da plateia, Obama e Romney ficaram empatados em seis, na opinião de Robert Papper, professor da Universidade de Hofstra, local onde foi realizado o encontro. O resultado, para ele, foi mais favorável ao presidente, que teria vencido em quatro perguntas e se recuperado de seu desempenho apático em Denver. Segundo Papper, o republicano foi melhor em apenas uma questão: economia.
"Obama ainda não tem um argumento claro sobre o fato de a economia não ter reagido como se esperava nos últimos quatro anos. E esse é o ponto forte de Romney", afirmou Papper. "Obama foi bem em outras áreas, mas não em economia, que está no centro das preocupações do eleitorado."
Em comício realizado em Mont Vernon, no Estado de Iowa, Obama voltou nesta quarta-feira, 17, a atacar Romney para uma plateia bem específica: o eleitorado feminino. Assim como o voto latino, as mulheres são prioridade na estratégia de campanha do presidente. Conforme enfatizou seu chefe de campanha, Jim Messina, elas formam a maioria dos indecisos nos Estados onde a eleição será chave, como Flórida, Colorado, Virgínia e Ohio.
Bem-humorado, Obama lembrou a oposição de Romney com relação ao planejamento familiar e à reforma do sistema de saúde americano. O presidente também debochou da forma como seu rival se referiu às mulheres no último debate.
Diante do fato de a Casa Branca ter apoiado uma lei de equiparação salarial entre homens e mulheres, Romney tentou se mostrar favorável à contratação de funcionárias quando foi governador de Massachusetts e afirmou ter "uma pasta cheia de mulheres" a serem recrutadas. "Nós não temos de coletar um monte de pastas para encontrar mulheres jovens qualificadas e talentosas para o trabalho e o ensino", disse o presidente.

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