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Mantega critica estratégia alemã na crise europeia


Em entrevista a 'El País' e 'Le Monde', o ministro da Fazenda afirma que gestão da crise na zona do euro é 'temerária' e 'incompleta' por não focar investimentos


O ministro da Fazenda, Guido Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez críticas à estratégia alemã de aplicar cortes para combater a crise econômica na zona do euro. Em entrevista conjunta ao jornal espanhol El País e ao francês Le Monde, publicada nesta quinta-feira em suplementos especiais sobre a Europa, Mantega considera "temerária" e "incompleta" a gestão da crise sem a devida atenção aos investimentos, e afirma ser "urgente" resolver a questão "porque o tempo se acaba".


Para o ministro, estão sendo tomadas medidas para resolver os problemas "mais visíveis" dos bancos e o endividamento, mas essas medias "não solucionarão a questão central, que é a recuperação econômica". No entanto, Mantega diz que, em sua recente visita a Londres e Paris, observou que está sendo desenvolvido um trabalho para "uma solução a longo prazo".

A estratégia, que ele ressalta ser "definida principalmente pela Alemanha", consiste em reduzir a dívida e cortas as despesas, "e só depois se prestará assistência aos países necessitados", declarou. "Portanto, devemos nos perguntar se é politicamente viável dizer às pessoas que os salários seguirão caindo e que o trabalho seguirá faltando durante os próximos dois ou três anos. Para mim, é uma estratégia temerária, porque já vamos para o quarto ano de crise", avalia o ministro, para quem a maneira com que a crise vem sendo gerida é "incompleta" porque, apesar de resolver o problema da dívida, falta pensar na retomada do crescimento.

"Onde está o programa de investimentos?", questiona Mantega na entrevista. Ele reconhece os "grandes esforços" feitos por Espanha e Portugal para sair da crise e diz que "a Alemanha deveria ser mais flexível, em vez de colocar-lhes uma faca no pescoço". "A Europa não foi capaz de enfrentar o problema desde o começo, em 2010, segundo a recomendação do FMI", diz.

Ano perdido – O ministro afirma ainda que 2012 já é "um ano perdido" para a região, uma vez que "agora o objetivo é evitar que a situação piore". Para isso, Mantega pede que as medidas a ser adotadas tenham um "maior alcance" e sejam postas em prática de forma "muito mais rápida".

Neste ponto, o ministro insinua que o Banco Central Europeu não atuou com a rapidez necessária, ao contrário do Federal Reserve americano, que "agiu imediatamente no início da crise" em seu país e "soube controlar melhor a situação".

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