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Negócios do Brasil

Na visita de Li Keqiang, projetos e acenos simbólicos
Na visita de Li Keqiang, projetos e acenos simbólicos
O primeiro-ministro chinês Li Keqiang está no Brasil na primeira escala de uma viagem à América do Sul carregada de projetos e de simbolismo. As quatro escalas (Brasil, Peru, Colômbia e Chile) representam 57% das relações comerciais da China com a América Latina. O supergigante emergente desacelerou, mas o Brasil em estado recessivo topa qualquer negócio.
A China, na verdade, também, sem questionar a ética ou o regime político do freguês. No começo do ano, o presidente Xi Jinping falou em investimentos de US$ 250 bilhões na América Latina ao longo de uma década. Pequim trabalha a longo prazo (e tem US$ 4 trilhões de reservas), embora possua algumas preocupações imediatas para compensar sua capacidade excessiva na construção de obras de infraestrutura (o que não falta no país é elefante branco) e na produção de aço. Nada como construir alguns elefantes brancos também no exterior em meio a necessários burros de carga que cada país precisa para tocar as coisas.
Em entrevista ao jornal Valor, o veterano diplomata Sérgio Amaral (hoje presidente do Conselho Empresarial China-Brasil) observou que tanto interesse chinês no país é uma oportunidade para o Brasil substituir as construtoras envolvidas em projetos hoje ameaçados pelo envolvimento de grandes empreiteiras brasileiras em escândalos de corrupção. O governo brasileiro também busca ansiosamente novas fontes de financiamento para projetos ambiciosos, pois está em fase de ajuste e o BNDES está secando.
Cai sob medida neste contexto a construção de uma ferrovia transoceânica ligando o litoral atlântico brasileiro à costa peruana no Pacífico para escoar com mais agilidade as exportações de commodities brasileiras como soja, ferro e açúcar para a China, que ainda são as principais especiarias do Brasil no comércio bilateral (A China já superou os EUA como principal parceiro comercial brasileiro).
Com elegância de diplomata, o embaixador Sérgio Amaral disse que a visita ao Brasil (e ao resto da América do Sul) do primeiro-ministro Li Keqiang é um ato da “nova geopolítica da infraestrutura”. Sem maiores pudores, o jornal britânico The Independent ressaltou que com a visita do seu premiê a China “continua com sua colonização econômica” do Brasil. Com um pouco mais de educação, o Financial Times observou que o Brasil nunca soube capitalizar sua parceria comercial de forma tão lucrativa como a China, aumentando os temores de que se converta em uma “colônia econômica”.
O fato é que a “geopolítica da infraestrutura” é a alavanca para a China exercer mais influência na distante América Latina. O projeto da ferrovia transoceânica é uma forma da China evitar o Canal do Panamá, que Pequim considera um ponto de estrangulamento estratégico dos EUA.
Assim, a visita do primeiro-ministro chinês está carregada não apenas de projetos, mas de simbolismo, desafiando mais uma vez a noção de que a América Latina seja um “quintal americano” ou que uma atualização da Doutrina Monroe esteja em vigor. Há dois séculos, o propósito americano era desencorajar a influência e os negócios europeus na América Latina. Agora é a vez dos chineses se colocarem no seu devido lugar. Estrategistas de Pequim rebatem ser vital incrementar a influência na América Latina, pois os americanos estão fazendo o mesmo no “quintal” chinês na Ásia, reforçando seus laços econômicos e militares na região.
A China adora a conversa de “relações harmoniosas” e quer se livrar da imagem de novo colonizador. Em entrevista ao Valor, o embaixador chinês em Brasília, Li JInzhang, disse que existe um “novo normal” no relacionamento bilateral, no qual “a situação de demasiada dependência do comércio de commodities não podia continuar e precisa ser transformada”.
O “novo normal” do Brasil é topar qualquer negócio, da China ou de qualquer outro lugar. Imagine, o governo Dilma Rousseff se esforça até para melhorar as relações com os velhos colonizadores ianques.

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