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Cunha: 'Faltou inteligência política ao relator da reforma'

Presidente da Câmara defende votação de relatório na próxima semana: proposta é iniciar análise por sistema eleitoral, fim da reeleição, coincidência de mandatos e financiamento de campanha

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), antes da sessão para a votação da MP 665, que restringe o acesso ao seguro-desemprego, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)()
No dia anterior à votação do relatório final da reforma política, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticou o parecer elaborado pelo deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). O documento traz algumas mudanças ao atual sistema político, entre elas o fim da reeleição e a criação do chamado "distritão" - modelo que acabou integrando o relatório por pressão do PMDB. Para Cunha, o relator, que é um de seus aliados na Casa, agiu com "paixão" e acabou lhe faltando "inteligência política" em determinados pontos, como na mudança no mandato de senadores. Depois de mais de três meses de discussão e ainda em meio à falta de consenso na Casa, o relatório aguarda apreciação na comissão especial, o que está previsto para esta terça-feira - mas Cunha defende que nem sequer haja votação. Se houver alguma conclusão, o trabalho do colegiado deve passar por expressivas mudanças e acabar praticamente esvaziado.
"Eu acho até que não devem votar [o relatório] amanhã. Eu acho que tem que votar depois que a gente organizar essa semana inteira. Votar na quinta ou até na segunda ou terça que vem. Acho que se votar sem evoluir o debate, a gente pode inviabilizar a votação. É preferível até que a comissão não vote, que leve para plenário", disse nesta segunda-feira o presidente da Câmara.
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A força e as fraquezas do distritão
Cunha criticou a decisão do relator de alterar o período de mandato dos senadores - hoje de oito anos. Em uma série de recuos, Marcelo Castro inicialmente defendeu a redução para cinco anos. Depois, dobrou o período para dez anos. Após ser alvo de questionamentos, retomou a ideia inicial e manteve no parecer a coincidência de cinco anos para todos os cargos eletivos. "Quando os deputados falam que vão alterar mandato de senador é quase que uma agressão. Já sabem que não vai passar lá. É uma falta de perspicácia política você querer impor o tamanho do mandato no Senado, é até falta de inteligência política", afirmou o presidente da Câmara. Ele convocou para quarta-feira uma reunião entre os líderes partidários para discutir a reformulação do sistema político.
Diante de um relatório com inúmeros pontos controversos, o que pode "engessar" a votação, o presidente da Câmara admite que a proposta de emenda à Constituição será fatiada em plenário. A proposta de Cunha é iniciar a análise pelo sistema eleitoral, e seguir na apreciação do fim da reeleição, da coincidência de mandatos e do modelo de financiamento de campanha.
"Relatório a gente solta para mexer. Reforma política é igual Seleção Brasileira: essa é a escalação do relator. Ele gosta de um jogador que eu não gosto, é por aí", afirmou Cunha. Embora critique o parecer de Marcelo Castro, o presidente da Câmara participou da indicação dele ao posto. "O Marcelo sempre atuou na reforma política, a gente já sabia que ele tinha um posicionamento. Mas eu já o vi mudar de posição. A gente, de uma certa forma, quis premiar todo o esforço dele nesses anos e partir do princípio que ao fim ele construiria um relatório. E um relatório que seguiria a orientação do partido, tanto que ele acabou seguindo no distritão", disse Cunha. E continuou: "As pessoas se apaixonam por suas teses e acabam ficando com as teses irreversíveis. Mas a gente tem que tomar um pouco de cuidado".
Mesmo sem acordo entre os deputados, Cunha descartou a hipótese de adiar a votação da reforma política, pauta única do plenário na próxima semana. "Eu tenho a semana que vem quase como um deadline. Se não votar, perde o timing para 2016", disse nesta segunda-feira. Ele ironizou o atual sistema eleitoral: "Nós já estamos na fase do Tiririca: pior que está não fica".

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