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Banqueiros fazem manifesto pedindo mais regulação para evitar nova bolha

Presidentes de bancos como UBS e HSBC redigem um documento pedindo melhora nas políticas de controle de fluxo de capitais, temendo um revés nos mercados emergentes

Douglas Flint, presidente do Conselho de Administração do HSBC
Douglas Flint, presidente do Conselho de Administração do HSBC (AFP/)
Quinze banqueiros e gestores de grandes fundos assinaram um documento conjunto, nesta segunda-feira, pedindo a melhora da regulação financeira como forma de evitar a eclosão de uma nova bolha de ativos. Entre os signatários estão os presidentes do HSBC, Douglas Flint, e do UBS, Axel Weber, além do chefe da gestora de fundos BlackRock, Larry Fink. O texto foi feito em parceria com o Fórum Econômico Mundial.
Os banqueiros alertam que a regulação financeira global, tal como é hoje, coloca em risco o sistema bancário. Eles citam as chamadas medidas macroprudenciais, colocadas em prática após a crise de 2008, como necessárias, porém, insuficientes para conter os riscos inerentes à economia. Tais medidas foram criadas como alternativa à elevação dos juros na tarefa de impedir uma nova bolha no mercado imobiliário. Elas consistem no estabelecimento de limites de crédito e endividamento em relação à renda dos tomadores de empréstimo, entre outras ferramentas. Tais medidas visam, sobretudo, o controle das operações de bancos comerciais. Portanto, atuam para evitar a bolha na ponta dos compradores de imóveis.
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O que os banqueiros alertam é que tais medidas não são suficientes porque não englobam os demais atores do sistema financeiro nacional. "Não está claro quão eficazes as medidas macroprudenciais e monetárias limitam o risco sistêmico e como elas podem impactar a economia real, especialmente em economias avançadas, com sistemas financeiros cada vez mais complexos", afirmam, em comunicado. O texto aponta ainda para os efeitos sociais dessas políticas, que terminam por restringir o acesso ao crédito e desaquecer a curva de aquisição de imóveis.
Outro ponto de atenção incorre sobre os mercados emergentes, em especial o mercado de capitais na China. Segundo os banqueiros, trata-se de um cenário de 'exuberância' decorrente dos juros baixíssimos na economia americana - e que acabam fazendo com que o dinheiro migre em massa para outros destinos com melhores retornos. Para se ter uma ideia, o índice SSE, da Bolsa de Shangai, se valorizou 111% nos últimos doze meses. No mesmo período, o Dow Jones subiu 2,67%.
Ao mencionarem o risco sistêmico, os banqueiros direcionam o alerta ao mercado americano, que, segundo eles, é um dos que possui sistema de governança mais fragmentado. A regulação de diversos segmentos financeiros é gerida por agências separadas, o que coloca em xeque sua eficácia.
Segundo Matthew Blake, diretor da área de mercado de capitais do Fórum, a ideia do manifesto é levantar a discussão sobre o tema, que parece ter caído em esquecimento após a crise de 2008. "O grupo espera que esse documento contribua para o diálogo entre governos, indústria, academia e sociedade sobre como equilibrar a estabilidade financeira ao crescimento econômico", afirma.

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