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Ministro peemedebista recusa convite de Dilma e vice assume articulação política


Após titular da Aviação Civil, Eliseu Padilha, rejeitar cargo, presidente apela a Michel Temer, também do PMDB, que vai acumular função que vinha sendo exercida pelo petista Pepe Vargas






BRASÍLIA - Às vésperas de completar cem dias do segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff foi obrigada a entregar a articulação política do governo ao vice-presidente Michel Temer (PMDB), na tentativa de reduzir os danos provocados com a recusa do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, também do PMDB, em assumir a função.



Em um operação desastrada que durou pouco mais de 24 horas, Dilma conseguiu desagradar a uma ala do PMDB e enfraquecer o setor mais à esquerda do PT. No fim do dia, Temer acabou por salvar o governo de mais um vexame - embora Padilha seja ligado diretamente a ele.



Temer vai acumular sua atual função com a Secretaria de Relações Institucionais, até então ocupada pelo petista Pepe Vargas, que entregou o cargo após o “vazamento” da notícia sobre sua saída. Pepe volta a integrar a bancada do PT na Câmara. A secretaria é responsável pelas negociações com os parlamentares, mas, para Temer assumir a missão, seu formato vai mudar. Pelo novo desenho, a pasta será incorporada à Vice-Presidência da República - o número de ministérios passa de 39 para 38 - e Temer terá, a princípio, autonomia para negociar com o Congresso.



O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, destacou a lealdade de Temer ao projeto do governo e a Dilma. Segundo ele, a expectativa é de que a crise política seja amenizada. “Todos reconhecem que foi uma solução política que ajuda bastante na interlocução, no diálogo, nas pontes, no fortalecimento da base aliada no âmbito do Congresso e mesmo na interlocução com outras forças políticas de oposição.”

No PMDB a solução foi bem recebida. “A (indicação) é muito boa pela liderança que Michel (Temer) exerce no partido. Ninguém melhor (do que Temer) para exercer neste momento complexo esta tarefa”, disse o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL). Para o líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), o perfil do escolhido facilita a relação da sigla com o Planalto. “O diálogo melhora.”



No Senado, o líder do partido, Eunício Oliveira (CE), elogiou a manobra. “Temer é nosso presidente, foi três vezes presidente da Câmara, tem bagagem para fazer esse entendimento (com a base aliada). Com respeito ao ministro Pepe Vargas, Dilma deu uma avançada nessa questão ao levar o vice para acumular a função de coordenador político.”



A operação iniciada no Planalto começou na segunda-feira, quando Dilma convidou Padilha para assumir a articulação política no lugar do gaúcho Pepe, do PT. Ao fazer a oferta, a presidente tinha a intenção de conciliar interesses dos grupos do PMDB que comandam Câmara e Senado para aplacar a revolta do partido e aprovar o ajuste fiscal.



Tudo foi por água abaixo quando a informação sobre o convite a Padilha “vazou” enquanto Pepe ainda exercia suas funções. Padilha acabou recusando ser transferido da Secretaria de Aviação Civil para a de Relações Institucionais, alegando motivos pessoais.



Àquela altura, no entanto, Dilma já tinha conversado com Pepe, que entregou o cargo e não escondeu sua mágoa. A presidente se desculpou pelo “vazamento”. “Essa conta é nossa, não é sua. Mas preciso desse cargo para o PMDB”, disse ela, que prometeu acomodá-lo em outra cadeira na Esplanada.

A troca de Pepe é a terceira que Dilma é obrigada a fazer no primeiro escalão desde janeiro. A primeira foi Cid Gomes (PROS), que deixou a Educação após dizer que a Câmara tinha “achacadores”. Depois foi o ministro da Comunicação Social, Thomas Traumann, defenestrado após o “vazamento” de texto que apontava “caos político”.

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