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Compra da BG pela Shell cria nova potência no pré-sal brasileiro

Negócio avaliado em US$ 70 bilhões transformará Shell na maior sócia da Petrobras, em um momento em que a estatal enfrenta a maior crise da história

Plataforma de petróleo da OGX na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro
A BG, principal parceira da Petrobras no campo de Lula já é segunda petroleira do país em produção, enquanto a Shell é a quinta maior.(Divulgação/OGX/VEJA)
A compra da britânica BG Group pela gigante anglo-holandesa Shell, anunciada nesta quarta-feira, criará uma nova grande potência no pré-sal brasileiro, que será ainda a petroleira mais próxima da Petrobras, em um momento em que a estatal brasileira enfrenta a maior crise de sua história. O negócio entre BG e Shell, de 70 bilhões de dólares, representa a primeira grande fusão no setor de petróleo em mais de uma década.
A BG, principal parceira da Petrobras no campo de Lula, principal produtor do pré-sal da Bacia de Santos, já é segunda petroleira do país em produção, enquanto a Shell é a quinta maior, segundo o último dado do órgão regulador, a Associação Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Além da Shell adquirir um importante ativo em produção no pré-sal - a BG tem 25% do campo de Lula -, analistas acreditam que o negócio é expressivo para a empresa anglo-holandesa no Brasil pois ela ficará com reservas de bastante qualidade e em crescimento. A britânica também é parceira da estatal brasileira em outras relevantes áreas como Sapinhoá, Lapa e Iara.
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A própria Shell já é sócia da Petrobras com 20% da área de Libra, localizada no pré-sal da Bacia de Santos e anunciada pelo governo brasileiro como a maior jazida do país, que pode conter entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo que podem ser produzidos nos próximos anos.
"No Brasil, os ativos da BG dariam à Shell mais um ponto de apoio em uma das bacias de menor custo do mundo, e poderia acrescentar potenciais sinergias com Libra", afirmou o analista Biraj Borkhataria, em relatório da RBC Capital Markets.
Já a corretora Jefferies concluiu que a transação fará da Shell a companhia estrangeira líder no Brasil, combinando ativos atuais da anglo-holandesa, com a fatia em Libra e a participação da BG no pré-sal.
"Nós estimamos que a carteira brasileira da BG vai crescer de 144 mil barris em 2015 para 557 mil barris em 2020, e vai se tornar um motor de crescimento da produção para a Shell", disse a Jefferies.
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Lava Jato - Entretanto, analistas ponderam que a anglo-holandesa poderá enfrentar situações delicadas, devido ao escândalo de corrupção que envolve a Petrobras, sua futura maior parceira no Brasil.
"O problema nesse caso é que a Shell seria o parceiro não-operacional da Petrobras, que está atualmente em crise devido às acusações de corrupção generalizada", afirmou relatório do banco BMO, assinado pelos analistas Nikolas Stefanou e Iain Reid.
O escândalo de corrupção deve, inclusive, prejudicar as curvas de produção traçadas pela Petrobras, conforme diretores da companhia declararam recentemente. A BG, hoje a maior parceira da Petrobras no pré-sal, produz 109,423 mil barris de petróleo por dia no país, o equivalente a cerca de 20% da produção global da companhia.
O número poderia ser ainda maior. Isso porque as metas de produção de petróleo no Brasil, feitas pela Petrobras, não foram atingidas nos últimos anos - a curva projetada de extração deverá sofrer mais um revés após a divulgação do próximo plano de negócios da Petrobras, ainda sem data definida para publicação, diante do impacto do escândalo de corrupção na estatal e em seu fornecedores. Ainda assim, os ativos brasileiros da BG são considerados muito valiosos, segundo analistas.
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Estratégia - Uma fonte próxima à Shell destacou que a anglo-holandesa já tem grande relevância do ponto de vista estratégico no Brasil, uma situação que será ainda mais fortalecida com a compra da britânica.
Vale destacar que a companhia participa do único consórcio a fazer uma proposta em 2013 pela área de Libra, que tem, além da Petrobras, a francesa Total e duas estatais chinesas como sócias. "Não é só uma empresa que é relevante pelo o que é lá fora, ela é relevante pelo o que é aqui dentro", afirmou a fonte, que pediu para não ser identificada.
"A Shell, com certeza, deve ter feito do ponto de vista estratégico essa análise, é diferente por exemplo se fosse a Exxon, que está fora do Brasil na atuação direta há algum tempo, certamente teria mais dificuldade de percepção", complementou.
(Com agência Reuters)

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