CGU esperou eleição para abrir processo, diz delator
Órgão recebeu documentos com provas do pagamento de propina da SBM à Petrobras ainda em agosto, mas só abriu processo contra a empresa holandesa depois da reeleição de Dilma
Em entrevista para a Folha, o britânico Jonathan David Taylor, ex-diretor da SBM, disse que entregou para a CGU, órgão de fiscalização subordinado à Presidência, mil páginas de documentos internos da empresa holandesa com provas das irregularidades. Segundo Taylor, os dados foram repassados entre agosto e outubro de 2014.
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Para Taylor, a demora da CGU atendeu a interesses eleitoreiros. "A única conclusão que posso tirar disso é que essas partes queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma Rousseff ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar um negativo impacto nas eleições. E para a SBM era importante ter uma sobrevida com os contratos no Brasil", afirmou o britânico na entrevista à Folha.
A SBM Offshore é a maior fabricante de plataformas marítimas de exploração de petróleo do mundo. Taylor é apontado como o responsável por vazar a conclusão de uma investigação interna da empresa que constatou pagamentos de propina em diversos países. Conforme revelou VEJA em fevereiro 2014, o esquema no Brasil era comandado pelo empresário Julio Faerman, um dos mais influentes lobistas do setor. Ele assinava contratos de consultoria com a SBM que serviam para repassar o dinheiro de propina para diretores da Petrobras.
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Em depoimento na CPI da Petrobras, o delator Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da estatal, afirmou que a SBM doou 300 mil reais de forma irregular para a campanha de Dilma em 2010.
Ouvida pela Folha, a CGU negou qualquer irregularidade e disse que abriu o processo contra a SBM em novembro porque foi quando encontrou "indícios mínimos de autoria e materialidade" sobre o caso.
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