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Em eleição de fachada, Assad fica com 88% dos votos

Votação ocorreu apenas nas áreas do país controladas pelo regime

O ditador Bashar Assad, acompanhado de sua mulher Asmaa, vota em Damasco
O ditador Bashar Assad, acompanhado de sua mulher Asmaa, vota em Damasco (HO/AFP)
Bashar Assad ficou com 88,7% dos votos na encenação de democracia vendida como eleição presidencial realizada nesta terça-feira na Síria. A votação ocorreu apenas nas áreas controladas pelo governo no país que vive um sangrento conflito há três anos e já deixou mais de 160.000 mortos. Estados Unidos e países europeus classificaram o pleito de ‘paródia de democracia’ desde que foi anunciado, no final de abril.
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Quase 16 milhões de sírios estavam aptos a votar em mais de 9.000 sessões eleitorais – nenhuma delas localizada nas áreas do norte e do leste do país, dominadas por grupos rebeldes que tentam tirar Assad do poder. Os números oficiais apontaram um alto índice de comparecimento às urnas, superior a 73%, percentual que inclui os votos de sírios que não moram no país.
Com o resultado, Assad oficializa mais sete anos de mandato em meio ao caos.  E enterra as tentativas de negociação entre o regime e a oposição moderada, cada vez mais enfraquecida diante da radicalização dos jihadistas. Isso porque o grupo que participava das conversas intermediadas pela ONU tinha a saída de Assad como condição para levar adiante o diálogo – contra qualquer disposição do ditador neste sentido.
Pela primeira vez em décadas, as cédulas tiveram mais de um nome – de fora do clã Assad. Os adversários, no entanto, nunca tiveram qualquer chance de impor uma ameaça real ao ditador. Hassan al-Nouri recebeu 4,3% dos votos e Maher Hajjar ficou com 3,2%. A imprensa estatal alardeou o processo eleitoral destacando que os cidadãos poderiam votar “com liberdade e transparência”.
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O chefe da Coalizão Nacional Síria, grupo opositor que conta com o reconhecimento de países ocidentais, classificou as eleições de “sangrentas” em artigo publicado no Washington Post. Para Ahmad Jarba, Assad usou a disputa cuidadosamente orientada para reforçar sua legitimidade e projetar confiança em meio ao conflito.
(Com agência Reuters)

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