CPI ouve o homem-bomba da Petrobras nesta terça
Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras é investigado por operar um esquema de superfaturamento e lavagem de dinheiro
HOMEM-BOMBA – Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras: se contar o que sabe, fará estragos em Brasília
Ele e o doleiro Alberto Yousseff foram presos na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), em março. Costa acabou libertado no mês passado. Segundo os investigadores, a dupla integrava um esquema bilionário de desvio de recursos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Como VEJA mostrou, são graves as suspeitas de que o ex-diretor de Abastecimento recebia propina para favorecer empresas contratadas pela Petrobras. Uma delas seria a Ecoglobal, que firmou um contrato de 500 milhões de reais com a petrolífera no ano passado; mesmo antes de começar a prestar os serviços, executivos da Ecoglobal já discutiam um aditivo de até 15% sobre o valor inicial.
A Polícia Federal também descobriu que Costa ajudou a empresa Ecoglobal a fechar um contrato de 444 milhões de reais com a Petrobras e que, ao mesmo tempo, ele pretendia adquirir 75% da companhia a um valor de 18 milhões de reais.
Também há indícios de que Costa repassava dinheiro clandestinamente a partidos políticos. A agenda do ex-diretor registrou, em 2010, um repasse de 28,5 milhões de reais ao PP, partido que o indicou ao posto e com o qual o ex-diretor tinha contato frequente. Ele nega ter cometido qualquer crime.
Até a noite desta segunda, Paulo Roberto Costa não havia pedido habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que pode ser visto como um sinal de que ele não vai se recusar a falar. Por outro lado, o ex-diretor pode estar tranquilo por saber que a oposição tem boicotado a CPI, para dar força à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) e esvaziar a estratégia governista de dividir as investigações sobre o tema.
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