Voo entre Etiópia e Itália é sequestrado por copiloto
Avião da Ethiopian Airlines que saiu de Adis Abeba devia pousar em Roma, mas foi obrigado a desviar rota para Genebra, na Suíça, onde pousou em segurança
Aeronave da Ethiopian Airlines (AP)
Um avião da Ethiopian Airlines que decolou na madrugada desta segunda-feira de Adis Abeba, na Etiópia, com destino a Roma, na Itália, foi sequestrado durante o voo. O sequestrador obrigou a aeronave – um Boeing 767-300 – a desviar sua rota e pousar em Genebra, na Suíça, onde ele se entregou à polícia local. “Quando o avião aterrissou, o copiloto saiu pela janela da cabine de comandantes e se dirigiu correndo ao primeiro policial que encontrou para comunicar-lhe que era o responsável pelo sequestro e que a única coisa que queria era asilo político porque em seu ele país estava em perigo”, esclareceu porta-voz da polícia de Genebra, Jean-Philippe Brandt.
Segundo as autoridades suíças, o autor do sequestro era mesmo o copiloto do avião, um jovem etíope, nascido em 1983, que tomou a aeronave quando o piloto foi ao banheiro. O copiloto alegou estar sendo "ameaçado" em seu país natal e por isso queria pedir asilo político na Suíça. De acordo com um promotor suíço ouvido pela agência EFE, há muito pouca possibilidade de que o homem obtenha asilo político que solicitou porque “cometeu um crime para isso”. No entanto, o promotor – não identificado pela agência – destacou que o sequestrador, por enquanto, “responde mais ao perfil de uma pessoa desesperada do que ao de um criminoso”.
O sequestrador acabou preso e ninguém a bordo do voo ET 702 da Ethiopian Airlines ficou ferido. Mesmo assim, o Aeroporto Internacional de Genebra foi fechado por razões de segurança. O responsável pelo sequestro não estava armado e, segundo ele mesmo disse, não tinha intenção de ferir ninguém. O copiloto etíope esta sendo interrogado pelas autoridades suíças e ele deve permanecer detido até seu julgamento. “A lei penal da Suíça prevê penas que podem chegar até 20 anos de reclusão para sequestros aéreos”, afirmou Brandt.
Após a detenção do copiloto, o avião foi rodeado por dezenas de policiais das tropas de elite e os 202 passageiros começaram a descer um por um. A polícia está agora recolhendo testemunhos dos passageiros, que receberão atendimento médico e psicológico. Segundo o porta-voz da Polícia, os passageiros não sabiam que o avião tinha sido sequestrado e só tomaram ciência do acontecido quando se deram conta que tinham aterrissado em uma cidade diferente à de seu destino. A companhia aérea organizará nas próximas horas o retorno dos passageiros a Roma ou outras cidades italianas.
'Pouso forçado' – Inicialmente, a empresa aérea informou apenas que um de seus aviões com destino a Roma havia sido "forçado a proceder para Genebra". A companhia não forneceu mais detalhes. Brandt confirmou que o avião fez um pouso não programado na cidade suíça às 6 horas, no horário local (2 horas em Brasília). O porta-voz também informou que as autoridades estavam vistoriando a aeronave e que não podia confirmar os relatos de que o avião foi sequestrado. Mais tarde, contudo, Brandt confirmou o sequestro.
(Com Estadão Conteúdo e agência EFE)
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