Putin 'abençoa' candidatura de Al-Sisi à presidência do Egito
Com as relações entre Cairo e Washington estremecidas, o presidente russo lança sua primeira ofensiva para reaproximar o governo egípcio de Moscou
O marechal egípcio Abdel Fattah al-Sisi cumprimenta o presidente russo Vladimir Putin durante um encontro realizado em Moscou (Mihail Metzel/RIA Novosti/Kremlin/Reuters)
Leia também:
Anistia pede que Egito liberte os jornalistas presos
Manifestações no Egito deixam ao menos um morto e 35 feridos
Al-Sisi viajou à Rússia para discutir com Putin um acordo de 2 bilhões de dólares de apoio ao Exército do país, segundo estimou a imprensa russa. Os detalhes não foram divulgados publicamente, mas a rede BBC informou que o chefe das Forças Armadas estaria interessado em adquirir mísseis de defesa aérea, jatos MiG-29 e helicópteros, entre outras armas. A ajuda russa surgiu como uma oportunidade para o Egito não sofrer com o cancelamento de parte do acordo financeiro de 1,3 bilhão que os Estados Unidos enviavam ao Exército do país.
Conforme a legislação americana, o governo dos Estados Unidos deve interromper qualquer ajuda financeira a um país que sofre um golpe de estado. Al-Sisi foi o marechal responsável por coordenar a operação militar que depôs o presidente Mohamed Mursi, em 3 de julho, e cancelou a Constituição aprovada pelo grupo fundamentalista Irmandade Muçulmana, que alçou o político islâmico ao poder. Embora nenhuma confirmação tenha sido divulgada até o momento, al-Sisi desponta como o favorito a assumir a presidência egípcia nas eleições de abril. Além de contar com ampla popularidade, não há no país nenhum outro candidato que apresente força suficiente para desbancar o marechal na corrida presidencial.
Saiba mais: Reduzir crise no Egito a disputa entre dois lados é equívoco, diz cineasta
Com todo o favoritismo voltado para al-Sisi e as relações entre Washington e Cairo estremecidas, Putin já trabalha para recuperar novamente o prestígio que o governo russo nutria na região antes dos levantes populares conhecidos como ‘Primavera Árabe’. Moscou alega que perdeu dezenas de bilhões de dólares em contratos militares assinados com os ditadores que foram derrubados do poder, incluindo o egípcio Hosni Mubarak.
No ano passado, o próprio chanceler egípcio, Nabil Fahmy, afirmou que o governo do país iria olhar além das possibilidades fornecidas por Washington e buscar outras opções para suprir as suas necessidades com a segurança. Por estar localizado próximo de aliados americanos como Israel, Jordânia e Arábia Saudita, além de outros países cuja ameaça jihadista vem crescendo consideravelmente nos últimos anos, tais como Líbia e Síria, o Egito é caracterizado como uma importante zona de influência para os Estados Unidos terem controle sobre a manutenção da estabilidade regional. Uma aproximação com a Rússia poderia, além de prejudicar os interesses americanos no Oriente Médio, ampliar a influência de ditadores aliados a Putin, como o sírio Bashar Assad, entre os demais países vizinhos.
(Com agência Reuters)
Comentários
Postar um comentário