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Hague e Kerry: não há lugar para Assad na futura Síria

Ministro britânico e secretário de Estado dos EUA pediram mais união da oposição síria moderada e projetam um governo provisório no país

O secretário de estado americano, John Kerry, durante coletiva de imprensa em Londres
O secretário de estado americano, John Kerry, durante coletiva de imprensa em Londres (Susan Walsh/Pool/Reuters)
Os titulares das Relações Exteriores da Grã-Bretanha e dos EUA, William Hague e John Kerry, afirmaram nesta terça-feira que não há lugar para o ditador Bashar al Assad no futuro político da Síria. Hague e Kerry participaram da reunião do grupo Amigos da Síria, em Londres. Eles se encontraram com chefes da diplomacia de outros nove países para pedir que a oposição moderada se envolva nas negociações previstas para o mês que vem em Genebra
“Deixamos claro que Assad não terá nenhum papel em uma Síria pacífica e democrática”, disse o anfitrião Hague em entrevista coletiva realizada no palacete de Lancaster House. Segundo o chefe da diplomacia britânica, “a única maneira sustentável de pôr fim a este conflito e ao sofrimento dos civis sírios é uma transição política". Os chanceleres pediram mais união da oposição síria depois que o Conselho Nacional Sírio, uma das facções que integram a Coalizão Nacional (grupo de opositores mais moderados), dizer que não confia nas negociações com o regime de Damasco. O grupo Amigos da Síria concordou em fazer uso de seu peso coletivo para tentar estabelecer futuramente um governo transitório na Síria, de “mútuo consentimento, com poderes executivos completos”, explicou Hague.
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Na mesma coletiva, John Kerry alertou também que o conflito sírio só chegará ao fim com “uma solução negociada” e não em um “campo de batalha”. Sobre a próxima conferência de Genebra, que ainda não tem data definida, Kerry comentou que acontecerá assim que possível e enfatizou que as negociações na Suíça são “imperativas”.
Responsáveis das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, EUA, Egito, França, Alemanha, Jordânia, Itália, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos participaram da reunião. No mês passado, em um primeiro encontro em Genebra para tentar frear a escalada da violência na Síria, EUA e Rússia chegaram a uma resolução conjunta exigindo que o regime de Assad se desfaça de suas armas químicas. O acordo gerou satisfação entre os países ocidentais, mas foi insuficiente para frear a guerra civil. Aproximadamente 100 000 pessoas já morreram em decorrência dos conflitos iniciados em 2011.
(Com agências EFE e AFP)

Os principais grupos de oposição na Síria

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Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS)

Dirigentes da Coalizão Nacional das Forças de Oposição da Revolução Síria em março de 2013 Criação: Novembro de 2012
Chefes: Ahmed Jarba
Princípios: defender a soberania e independência nacional com um regime civil e democrático; preservar a unidade do povo sírio e do país; não estabelecer nenhum diálogo ou negociação com o regime de Assad
Em resposta à pressão estrangeira por uma nova aliança que substituísse o Conselho Nacional Sírio, visto como ineficiente e consumido por disputas internas, as facções de oposição se reuniram no Catar para assinar o acordo de criação da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS). Basicamente, o objetivo da CNFROS é o mesmo que o CNS – derrubar por via legal o ditador Bashar Assad e estabelecer um “estado civil democrático e pluralístico”. No entanto, ela tem a pretensão de ser um conselho de liderança mais inclusivo, que assuma o papel de representante legítima do país para receber ajuda financeira e militar de países estrangeiros.
De fato mais abrangente, a coalizão conta com membros de outros 14 grupos opositores, incluindo o próprio Conselho Nacional Sírio. Mas não aceita militantes islâmicos como os da Frente Al-Nusra, classificada como grupo terrorista pelos Estados Unidos.
Assim que foi criada, a CNFROS conseguiu o reconhecimento dos países do Conselho de Cooperação do Golfo, das 21 nações da Liga Árabe, de alguns países europeus e dos Estados Unidos. Mas a aliança enfrenta problemas semelhantes aos do CNS, e não conseguiu formar um governo provisório dentro da Síria para administrar as áreas dominadas pelos rebeldes

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