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Grã-Bretanha pede que oposição moderada síria participe de negociação de paz

Para o ministro William Hague, se moderados não se envolverem, povo sírio ficará refém de Assad de um lado e extremistas de outro

William Hague, ministro das Relações Exteriores britânico
William Hague, ministro das Relações Exteriores britânico (AFP)
O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, disse nesta terça-feira que gostaria da participação da oposição moderada síria nas negociações de paz. Ele também não descartou a participação do Irã se o país aceitar uma transição política na Síria. Hague fez as declarações antes de um encontro em Londres, nesta terça-feira, do grupo de nações chamado "Londres 11", que busca estabelecer as bases para que se possa encontrar um fim para o conflito de 31 meses.
"Se eles (oposicionistas moderados) não forem parte do processo de paz na Síria, então todo povo sírio terá apenas a escolha entre Assad de um lado e os extremistasdo outro", disse o ministro à Rádio BBC. "Quanto mais tempo esse conflito durar, mais sectário se torna e cada vez mais os extremistas são capazes de assumir o controle. É por isso que estamos fazendo este esforço renovado para obter um processo de paz em Genebra", completou. A reunião de Genebra ainda não tem data definida, mas deve acontecer até o final de novembro.
Leia também: Kerry diz que conferência de paz para a Síria precisa ocorrer em breve
Dez ministros das Relações Exteriores e o secretário de Estado americano, John Kerry, participam nesta terça-feira da reunião. O objetivo do encontro é convencer a principal aliança da oposição, a Coalizão Nacional, a participar no mês que vem da conferência que será realizada na Suíça. Uma das facções que integram a Coalizão Nacional, o chamado Conselho Nacional Sírio, já disse que não confia nas negociações com o regime de Damasco e se nega a participar.
As conversas sobre um possível plano de paz encontram grandes obstáculos, incluindo divisões dentro da oposição, rivalidade entre grupos rebeldes e a relutância do ditador sírio Bashar al-Assad em entregar o poder. Muitos grupos que combatem as forças de Assad no país não reconhecem a oposição no exílio, que tem o apoio do Ocidente.
Participação do Irã -- Sobre a eventual participação do Irã nas negociações de paz, Hague disse que é importante que o país “desempenhe um trabalho mais construtivo”. “'Se eles (iranianos) estiverem comprometidos, certamente ajudarão todas as potências do exterior envolvidas nisto”, disse.
A reunião desta terça-feira será realizada no palacete de Lancaster House. Responsáveis das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Egito, França, Alemanha, EUA, Jordânia, Itália, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos confirmaram presença. Os países ocidentais receberam com satisfação o acordo alcançado no mês passado em Genebra entre EUA e Rússia para que o regime sírio entregue suas armas químicas. Mas o acordo não foi suficiente para interromper o conflito armado nem reduzir a catástrofe humanitária. Desde o começo do conflito, em 2011, cerca de 100 000 pessoas morreram na Síria.
(Com agências Reuters e EFE)

Os principais grupos de oposição na Síria

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Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS)

Dirigentes da Coalizão Nacional das Forças de Oposição da Revolução Síria em março de 2013 Criação: Novembro de 2012
Chefes: Ahmed Jarba
Princípios: defender a soberania e independência nacional com um regime civil e democrático; preservar a unidade do povo sírio e do país; não estabelecer nenhum diálogo ou negociação com o regime de Assad
Em resposta à pressão estrangeira por uma nova aliança que substituísse o Conselho Nacional Sírio, visto como ineficiente e consumido por disputas internas, as facções de oposição se reuniram no Catar para assinar o acordo de criação da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS). Basicamente, o objetivo da CNFROS é o mesmo que o CNS – derrubar por via legal o ditador Bashar Assad e estabelecer um “estado civil democrático e pluralístico”. No entanto, ela tem a pretensão de ser um conselho de liderança mais inclusivo, que assuma o papel de representante legítima do país para receber ajuda financeira e militar de países estrangeiros.
De fato mais abrangente, a coalizão conta com membros de outros 14 grupos opositores, incluindo o próprio Conselho Nacional Sírio. Mas não aceita militantes islâmicos como os da Frente Al-Nusra, classificada como grupo terrorista pelos Estados Unidos.
Assim que foi criada, a CNFROS conseguiu o reconhecimento dos países do Conselho de Cooperação do Golfo, das 21 nações da Liga Árabe, de alguns países europeus e dos Estados Unidos. Mas a aliança enfrenta problemas semelhantes aos do CNS, e não conseguiu formar um governo provisório dentro da Síria para administrar as áreas dominadas pelos rebeldes.

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