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Siria: Rússia e China barram missão da ONU e sanções

Observatório Sírio de Direitos Humanos afirma que, na quarta-feira, 214 pessoas morreram em todo o país

Membros do Conselho de Segurança da ONU votam sobre a Síria
Membros do Conselho de Segurança da ONU votam sobre a Síria                                     
Rússia e China exerceram pela terceira vez, em nove meses, o poder de veto como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para defender o regime do ditador Bashar Assad. Os governos barraram, nesta quinta-feira, o projeto para impor sanções ao governo sírio e impediram que a missão das Nações Unidas no país fosse prorrogada por mais 45 dias. O posicionamento dos dois governos provocou fortes reações de França e Grã-Bretanha.
Após o atentado de quarta-feira, que matou quatro integrantes da cúpula da Defesa do regime de Assad, fontes locais informaram que núcleos rebeldes se aproximaram do palácio presidencial, intensificando o conflito na capital, Damasco. Ontem, 214 pessoas morreram em todo o país, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, ligado à oposição.


Entenda o caso


  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

Leia também: Estados Unidos e Rússia concordam em agir por transição política segura na Síria
"A Grã-Bretanha está consternada pelo veto de Rússia e China", afirmou o representante britânico na ONU, Mark Lyall Grant. O embaixador francês, Gérard Araud, foi ainda mais crítico, dizendo que "a história vai provar” que Rússia e China estão erradas e “vai julgar" ambos os países. "Agora está claro que a Rússia simplesmente quer ganhar tempo para o regime sírio esmagar a oposição", disse ele.
Com o apoio de França, Alemanha, Estados Unidos e Portugal, a Grã-Bretanha apresentou uma proposta de resolução, amparada no capítulo VII da Carta das Nações Unidas, que abria caminho para a adoção de sanções diplomáticas ou econômicas - não militares - contra o regime de Assad.
A medidas seriam adotadas caso o ditador não retirasse os tanques das ruas e deixasse de utilizar armas pesadas no combate aos rebeldes. Assad teria dez dias para cumprir a determinação, a partir da aprovação da resolução.
Segundo a Rússia, a resolução proposta pelos ocidentais abria caminho para uma intervenção militar. "A resolução abre caminho para pressionar por sanções e, mais adiante, para um envolvimento externo nos assuntos internos sírios", afirmou o embaixador russo Vitaly Churkin, depois de participar da votação.
Rússia e China também se opuseram à extensão do mandato dos observadores da ONU no país. A missão, de 90 dias, termina na sexta-feira. Com isso, o general Robert Mood já deixou seu hotel em Damasco para viajar a Genebra.

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