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Conselho de Segurança aprova resolução sem ameaça de sanções a Assad




O Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade ontem a resolução 2059 para prorrogar por mais 30 dias a missão de observadores da entidade na Síria. Depois deste prazo, descrito como “final” pelos EUA e seus aliados europeus, haverá uma nova avaliação do cenário para ver quais serão os próximos passos da comunidade internacional.
Comentário – Quem está certo na Síria, os EUA ou a Rússia?
A aprovação ocorre um dia depois de a China e a Rússia vetarem uma outra proposta de resolução sobre a Síria. Os termos das duas são parecidos. Tanto o governo como a oposição precisam cumprir os seis pontos do plano do ex-secretário geral da ONU e mediador do conflito, Kofi Annan. A diferença em relação a anteontem é que, no texto de ontem, não há a inclusão de ameaças de sanções ao regime de Bashar Assad.
Apesar do acordo, o governo americano demonstrou enorme ceticismo com o resultado dos esforços diplomáticos. “Esta não era a resolução que os EUA queriam adotar. Nossa prioridade era o texto que foi vetado ontem. Mas daremos uma última oportunidade para os observadores cumprirem a sua missão”, disse a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice.
A representante americana acrescentou que os “esforços dos EUA serão focados cada vez mais fora do Conselho de Segurança, por meio dos Amigos da Síria, composto por mais de cem países”. O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse, por sua vez, que o Ocidente perdeu tempo com a resolução de anteontem pois “já poderia ter votado este mesmo texto com o nosso apoio e o da China um dia antes”.
Diplomatas ocidentais admitem que a votação do dia anterior visava justamente associar a Rússia e a China ao regime de Assad, o que irritou profundamente Moscou e Pequim.
Ao todo, há 300 observadores das Nações Unidas na Síria. Se a resolução não fosse aprovada até ontem, estes monitores precisariam se retirar imediatamente do país. Nos últimos dias, eles estão praticamente trancados no hotéis devido ao recrudescimento da violência.
Na resolução vetada por Moscou e Pequim, Washington e seus aliados europeus queriam a inclusão do artigo 41 do capítulo 7, que prevê sanções caso não houvesse cumprimento às determinações da resoluções. Para a Rússia e a China, isso seria inaceitável por dois motivos. Primeiro, porque, na avaliação deles, abriria caminho para a adoção, no futuro, do artigo 42, autorizando intervenção militar, como ocorreu no caso da Síria. Em segundo lugar, porque não inclui a oposição na exigência de cumprimento da resolução.

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