Pular para o conteúdo principal

EUA dizem que ataque de regime sírio a Alepo é ‘prego no caixão de Assad’


Ofensiva militar contra rebeldes é marcada por declaração do secretário de Defesa americano Leon Panetta 

MAREA, SÍRIA - No segundo dia de bombardeio do regime sírio a Alepo, segunda mais importante cidade do país, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, afirmou que a ofensiva representa "um prego no caixão de Assad". O principal alvo de helicópteros e tanques foi o bairro rebelde de Salahedine. Pelo menos 60 pessoas morreram nos combates em todo o país, entre os quais 24 civis, nove rebeldes e 19 militares, em Al-hasaka, Homs, Deraa e Idlib.
Rebelde sírio durante confronto em Alepo - Zohra Bensemra/Reuters
 
Rebelde sírio durante confronto em Alepo
Sem dar indicações de que apoia uma intervenção militar, Panetta comentou a ofensiva iniciada no sábado por Assad em Alepo, polo econômico do país. Disse que a ação é "um trágico ataque contra seu próprio povo". "Isso será o prego no caixão de Assad", completou Panetta, no avião com o qual começou neste domingo, 29, uma viagem de cinco dias por Tunísia, Egito, Israel e Jordânia. Ele insistirá com os governantes desses países que Assad deve deixar o poder.
A ofensiva a Alepo, considerada determinante por ambos os lados, não abalou o domínio dos insurgentes sobre diversas regiões da cidade. Combates e atividade de atiradores de elite foram registrados na capital e em vilarejos da Província de Alepo, em Al-Farkan, Manbaj e em Talahran, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.
Em Alepo, os enfrentamentos deixaram seis rebeldes mortos. No início da manhã, os bombardeios se concentraram na região sudoeste da cidade, em Salahedine, mas também em Bab al-Nasr e Bab al-Hadid, dois bairros nas imediações da cidadela, sítio histórico tombado. No sábado, primeiro dia da ofensiva, os rebeldes dizem ter destruído nove tanques, freando a invasão por terra, que veio acompanhada de ataques por helicópteros e pelo monitoramento por caças.
Ontem, a intensidade do combate caiu. De acordo com Yasser A., um dos coordenadores da resistência na vizinha Marea, a decisão de parar a ofensiva por algumas horas não significa que a batalha esteja encerrada - pelo contrário. "Parar o bombardeio pode ser só uma forma de dar um tempo para a população civil para fugir. Eles fizeram isso em Homs e outras cidades quando atacaram", disse.
Centenas de famílias continuaram a abandonar ontem Alepo, temendo o agravamento da ofensiva - mais de 500 mil habitantes já teriam se refugiado no interior ou nos países vizinhos.
Em uma reunião com autoridades do Irã, o chanceler sírio, Wallid Mouallem, afirmou que as forças leais ao regime de Assad vão dominar a cidade. "As forças contrárias à Síria se reuniram em Alepo para lutar contra o governo e elas serão sem dúvida vencidas", disse ele, acusando governos do Catar, da Arábia Saudita e da Turquia de "impedir o fim dos enfrentamentos". "A Síria é alvo de um complô mundial cujos agentes são os países da região."
Em outras cidades "liberadas" da Província de Alepo, a convicção é contrária. Em Marea, 40 quilômetros ao norte da capital regional, onde à noite rebeldes manifestaram-se em uma praça, as forças do regime se refugiam em um quartel e jovens ativistas jogam futebol à noite sem ser importunados. Na cidade, a confiança é grande de que será possível manter o controle da metrópole econômica da Síria. "Talvez tenha havido um choque em Salahadine, mas várias outras áreas seguem sob o controle dos rebeldes", disse Luai Al-Najar, estudante de 22 anos. "É apenas uma questão de tempo. O mais forte grupo do Exército Livre da Síria (ELS) está em Alepo neste momento. Eles têm treinamento e boas armas. Creio que é possível vencer."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Procurador do DF envia à PGR suspeitas sobre Jair Bolsonaro por improbidade e peculato Representação se baseia na suspeita de ex-assessora do presidente era 'funcionária fantasma'. Procuradora-geral da República vai analisar se pede abertura de inquérito para apurar. Por Mariana Oliveira, TV Globo  — Brasília O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Isac Nóbrega/PR O procurador da República do Distrito Federal Carlos Henrique Martins Lima enviou à Procuradoria Geral da República representações que apontam suspeita do crime de peculato (desvio de dinheiro público) e de improbidade administrativa em relação ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). A representação se baseia na suspeita de que Nathália Queiroz, ex-assessora parlamentar de Bolsonaro entre 2007 e 2016, período em que o presidente era deputado federal, tinha registro de frequência integral no gabinete da Câmara dos Deputados  enquanto trabalhava em horário comerc...
Atuação que não deixam dúvidas por que deveremos votar em Felix Mendonça para Deputado Federal. NÚMERO  1234 . Félix Mendonça Júnior Félix Mendonça: Governo Ciro terá como foco o desenvolvimento e combate às desigualdades sociais O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) vê com otimismo a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. A tendência, segundo ele, é de crescimento do ex-governador do Ceará. “Ciro é o nome mais preparado e, com certeza, a melhor opção entre todos os pré- candidatos. Com a campanha nas Leia mais Movimentos apoiam reivindicação de vaga na chapa de Rui Costa para o PDT na Bahia Neste final de semana, o cenário político baiano ganhou novos contornos após a declaração do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, que reivindicou uma vaga para o partido na chapada majoritária do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018. Apesar de o parlamentar não ter citado Leia mais Câmara aprova, com...
Lula se frustra com mobilização em seu apoio após os primeiros dias na cadeia O ex-presidente acreditou que faria do local de sua prisão um espaço de resistência política Compartilhar Assine já! SEM JOGO DUPLO Um Lula 3 teria problemas com a direita e com a esquerda (Foto: Nelson Almeida/Afp) O ex-presidente  Lula  pode não estar deprimido, mas está frustrado. Em vários momentos, antes da prisão, ele disse a interlocutores que faria de seu confinamento um espaço de resistência política. Imaginou romarias de políticos nacionais e internacionais, ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, representantes de entidades de Direitos Humanos e representantes de movimentos sociais. Agora, sua esperança é ser transferido para São Paulo, onde estão a maioria de seus filhos e as sedes de entidades como a CUT e o MTST.