Zelada recebia propinas e também tinha contas no exterior, diz delator
Ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco citou repasses de dinheiro sujo para o ex-diretor da área internacional na obra da plataforma P51
No esquema, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Henriques atuavam como intermediários da negociação, sendo que cabia a Padilha pagar a parte destinada a Eduardo Musa, a Raul Schmidt depositar a propina reservada a Zelada e a Henriques pagar o dinheiro sujo ao PMDB. As transações financeiras de Jorge Zelada já eram investigadas mais detalhadamente desde o início do ano, quando o Ministério Público Federal achou contas secretas em Mônaco com saldo de cerca de 11 milhões de euros. O dinheiro estava em nome da offshore Rockfield Internacional S.A.
À Justiça, o ex-gerente Pedro Barusco, delator da Lava Jato, afirmou que "Zelada recebia eventualmente propina na diretoria de Serviços". Ele citou repasses de dinheiro sujo para o ex-dirigente na obra da plataforma P51, da empresa Keppel Fels, e em contratos de lançamento de dutos submarinos. "Houve direcionamento de vantagens indevidas em mais de um contrato. Na divisão [de propina, além de mim e do Renato Duque [ex-diretor de Serviços da Petrobras], tinha uma parcela para o doutor Zelada", afirmou Barusco. Em seus depoimentos de delação premiada, ele já havia afirmado que entregou 120.000 reais a Zelada na rua Getúlio das Neves, no Rio de Janeiro. Parte desse dinheiro era referente à propina na P51. "Zelada tinha algumas empresas que ele operava. Eu e Zelada tínhamos um acerto de contas", resumiu.
Primeiro delator da Operação Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa também prestou depoimento ao juiz Sergio Moro. Ele detalhou a importância do apadrinhamento político para cargos na estatal, disse que Jorge Zelada era apadrinhado pelo PMDB e afirmou que o pagamento de propina na Área Internacional funcionava como um "pedágio". "Falava-se que tinha esse pedágio, que tinha que pagar algum valor em relação a apoio político. Desde que me conheço sempre soube que nãos e chegava à diretoria da Petrobras sem apoio político. Para chegar à diretoria tinha que ter apoio político. Não se chegava por méritos próprios", disse.
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