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Ricardo Pessoa, da UTC, reafirma que propina era paga ao diretório do PT

Delator prestou novo depoimento ao juiz da Lava Jato e pediu para não ter imagem gravada em vídeo

Ricardo Pessoa, presidente da construtora UTC
Ricardo Pessoa, presidente da construtora UTC(Folhapress)
Em novo depoimento ao juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na Justiça do Paraná, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, reafirmou que pagou propina ao Partido dos Trabalhadores no esquema de corrupção na Petrobras. A ponte para que o dinheiro desviado de contratos da estatal chegasse aos cofres do diretório da legenda, de acordo com Pessoa, era o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, preso em Curitiba (PR). Ele é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.
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Ao juiz, Pessoa detalhou que os repasses a Vaccari eram feitos por orientação do ex-diretor de Serviços Renato Duque, indicado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) para o cargo na Petrobras. O ex-gerente de Serviços Pedro Barusco também foi citado. "Pagava Barusco e Vaccari por solicitação de entendimento de Renato Duque", disse o empreiteiro. Entendimento, nas palavras de Pessoa, significava "procure o Vaccari para acertar a contribuição política".
A propina direcionada a Vaccari era feita em contribuições para o Partido dos Trabalhadores. Segundo Pessoa, o depósito caia diretamente na conta do Diretório Nacional do partido.
Questionado sobre os critérios para escolher Barusco e Vaccari como beneficiários do esquema, o empreiteiro foi direto: "Pagava-se propina para obter o contrato, para obter a continuidade dele de maneira correta, mais clara, mais calma e sem dificuldades". Pessoa afirmou ainda que o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o ex-deputado José Janene (PP) também receberam dinheiro desviado da estatal.
O depoimento de Pessoa foi gravado nesta sexta-feira e anexado aos autos do processo. A imagem do empreiteiro, ao contrário do que acontece com a maioria dos depoentes, não aparece no vídeo. A pedido, ele solicitou que não figurasse nas gravações, que acabaram direcionadas ao teto da sala de audiência.

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