Medidas são 'tapa-buraco' e não garantem saúde das contas públicas, dizem economistas
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Para elevar as receitas, o governo anunciou a ressurreição da CPMF, o imposto do cheque, com uma alíquota de 0,2%. Entre as medidas anunciadas, há ainda a suspensão do reajuste de servidores públicos e dos concursos, corte de gastos de custeio, além de redução dos repasses ao Minha Casa Minha Vida e ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
"São soluções emergenciais, discutidas no fim de semana, e que têm natureza temporária. Não há nada concreto, que altere a estrutura ou dê sustentabilidade à área fiscal", diz Otto Nogami, professor do MBA Executivo do Insper. Segundo ele, o ideal, desde o início, seria o Planalto se esforçar para levar adiante reformas profundas nas áreas tributária e previdênciária. "Isso atingiria a estrutura de custeio de governo", afirma.
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Pouca clareza - O economista Mansueto Almeida, pesquisador licenciado do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicadas) e especialista em contas públicas, aponta um outro ponto frágil das medidas apresentadas pelo governo: a falta de clareza. "Quantos ministérios serão cortados? Quantos cargos serão reduzidos? Isso não foi especificado", diz.
Quase metade do sucesso das medidas dependerá da receita obtida com a CPMF, que o governo quer recriar - a arrecadação prevista com o tributo é de 32 bilhões de reais. Segundo o economista, os governadores dos Estados não estão dispostos a apoiar uma elevação de imposto da qual não se beneficiariam. É isso que explica, acredita ele, o fato de a Cide (tributo que incide sobre os combustíveis) não ter sido apresentada agora. "É uma válvula de segurança", afirma o pesquisador. "Se os planos do governo não correrem como o esperado até o fim do ano, e o governo ainda depende da aprovação do Congresso para as proposta, ele pode elevar a Cide, que não depende do aval do Congresso."
Com medidas com impacto de curto prazo, não seria surpresa se o Brasil chegasse a 2016 a um déficit fiscal de 1% do PIB no ano que vem, com a relação dívida-PIB subindo para 80% da relação dívida sobre o PIB, fatores que podem fazer o país perder o grau de investimento nas agências de classificação de risco Moody's e Fitch, raciocina o economista de um grande banco privado do país, que pediu anonimato. "O governo parece não estar ciente desse risco. Ele flerta com o abismo", diz.
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