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ONU declara nível máximo de emergência no Iraque

Segundo as Nações Unidas, declaração deve facilitar mobilização de recursos para ajudar povos ameaçados por avanço terrorista no país

Yazidis que fugiram dos terroristas do Estado Islâmico no Iraque fazem marcha na fronteira com a Síria
Yazidis que fugiram dos terroristas do Estado Islâmico no Iraque fazem marcha na fronteira com a Síria (Youssef Boudlal /Reuters)
A Organização das Nações Unidas declarou nível máximo de emergência no Iraque devido à crise humanitária provocada pelo avanço do grupo terrorista Estado Islâmico. Apenas outros três países estão classificados no nível 3 de emergência, a Síria, o Sudão do Sul e a República Centro-Africana. No Iraque, a ONU estima que o caos provocado pela perseguição de jihadistas aos tidos como "infiéis" forçou o deslocamento interno de 1,2 milhão de pessoas.
A declaração de emergência deve “facilitar a mobilização de recursos adicionais em bens, fundos e ativos, para assegurar uma resposta mais efetiva às necessidades humanitárias das populações afetadas”, segundo o representante especial da ONU, Nickolay Mladenov.
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As Nações Unidas informaram também que 55.000 iraquianos buscaram refúgio na Síria depois de fugir da montanha de Sinjar. Nesta quinta, a Turquia anunciou a abertura de um campo de refugiados no norte do Iraque, perto da fronteira, com capacidade para acolher cerca de cinco mil pessoas. O vice-primeiro-ministro Besir Atalay afirmou que todas as necessidades dos refugiados serão cobertas por Ancara. Informou ainda que 1.700 yazidis cruzaram a fronteira com a Turquia e foram hospedados em edifícios públicos e escolas. “Há uma tragédia humana na fronteira. Pode chegar mais gente. Preferimos dar refúgio no lado iraquiano”, explicou.
No entanto, milhares de yazidis continuam em situação crítica diante da perseguição do EI. Ontem, os Estados Unidos afastaram a possibilidade de organizar uma missão de resgate em Sinjar, alegando que forças americanas consideraram as condições no local melhor do que o imaginado – em parte devido à saída de muitos yazidis do local nos últimos dias. Aeronaves têm lançado suprimentos na região. (Continue lendo o texto)
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha considerou boa a notícia de que mais yazidis conseguiram escapar do que se imaginava, mas alertou que ainda há dezenas de milhares de pessoas chegando à região do Curdistão, sem meios de sobrevivência, disse à rede britânica BBC Don Johnston, representante da organização em Duhok.
No início deste mês, os radicais do Estado Islâmico entraram na cidade de Sinjar, obrigando mulheres, crianças e idosos a esconderem-se no alto de uma montanha para não morrer. Os yazidis são curdos étnicos que cultivam uma religião com elementos do zoroastrismo, do cristianismo e do islamismo. Autoridades ocidentais alertaram para o risco de extermínio da população de 600.000 pessoas, considerada adoradora do diabo pelos terroristas.
Avanço terrorista – Apesar do anúncio do governo americano de que o cerco dos jihadistas aos yazidis no monte Sinjar foi rompido, o EI continua a dar demonstrações de força, concentrando-se também perto da cidade de Qara Tappa, 122 quilômetros ao norte de Bagdá, na tentativa de ampliar seu front contra os combatentes curdos. O movimento ao redor de Qara Tappa sugere que eles estão mais confiantes e buscam conquistar mais território próximo à capital depois de perderem ímpeto naquela região. Os radicais sunitas têm feito um dramático avanço pelo norte para uma posição próxima de Arbil, a capital da região autônoma do Curdistão.
(Com agências Reuters e EFE)

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