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Avião em que Campos voava foi vendido por usineiro há três meses, diz ex-piloto

Equipe do candidato teria adquirido aeronave. Grupo AF Andrade enfrentava dificuldades e esperava apenas a venda para pedir recuperação judicial

 
Aeronave Cessna 560XLS+ Citation Excel
Aeronave Cessna 560XLS+ Citation Excel 
O jato Cessna 560XL, que caiu nesta quarta-feira em Santos matando o candidato à Presidência da República Eduardo Campos e mais seis pessoas a bordo, foi vendido pela família Andrade, de Ribeirão Preto, há cerca de três meses. Apesar de a transferência de documentação ainda não ter sido feita junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião já não era propriedade da AF Andrade Empreendimentos. Segundo Fabiano de Camargo Peixoto, piloto do jato até maio deste ano, a aquisição foi feita pela equipe de Eduardo Campos. "Os donos pediram para que eu levasse a aeronave para o Campos experimentar há três meses. Voamos em São Paulo, ele gostou e o avião já ficou com ele", afirma Peixoto, sem saber precisar se a aquisição foi feita pelo candidato ou alguma empresa ou membro de sua campanha.
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Segundo Peixoto, a aeronave avaliada em cerca de 10 milhões de reais estava à venda há mais de um ano. Em dificuldades financeiras, o grupo dono de usinas queria se desfazer do bem que havia sido adquirido em 2011, por meio de um contrato de leasing junto à Cessna Finance Export Corporation. O site de VEJA apurou que o grupo esperava apenas a venda do jato para protocolar o pedido de recuperação judicial de suas empresas — o que ocorreu, de fato, há cerca de um mês. Foi firmado um compromisso de compra e venda, mas a burocracia para a troca de arrendatário junto à empresa de leasing atrasou a atualização de documentação da aeronave na Anac. "Os donos quase não voavam e a aeronave estava nova. Com a crise, também não tinham dinheiro para pagar o combustível. Aliás, estão há três meses sem pagar ninguém", afirma Peixoto. O piloto também afirmou que a aeronave não era alugada para terceiros, contradizendo o relato do cantor Latino, que postou em redes sociais a informação de que havia voado no jato em diversas viagens para shows. Procurados, os representantes da AF Andrade não foram localizados pela reportagem.
Após a compra da aeronave, Peixoto e o comandante André, pilotos dos usineiros, foram dispensados e a campanha de Campos contratou nova tripulação: entre eles Marcos Martins e Geraldo Cunha, também vítimas do acidente. Os novos pilotos tinham horas de voo suficientes e prática em voar os modelos Cessna, segundo a Anac. Cunha era, inclusive, credenciado nos Estados Unidos pela Federal Aviation Administration (FAA), o órgão federal que regula o setor. Tanto que, apenas uma semana após a compra, Campos já estava voando pelo Brasil com o novo avião. A base da aeronave ficava no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no hangar da Líder Aviação. A empresa, contudo, afirmou em nota que não tem qualquer participação na compra do Cessna.
O presidente da AF Andrade, José Carlos de Andrade, foi dono de uma usina de etanol na região de Ribeirão Preto, mas que foi vendida para o grupo Tereos. O grupo tem, atualmente, dois empreendimentos: uma usina em Santa Vitória, em Minas, e outra em Rio Verde, Goiás. Possui ainda um helicóptero, que também está à venda, e um avião bimotor.

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