Erdogan pressiona partido para mudar Constituição
Prestes a se tornar presidente, premiê pretende aumentar poderes do cargo
O premiê Recep Erdogan acena para correligionários ao chegar para reunião do governista Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) em Ancara (Reuters)
“Eu disse antes que as eleições presidenciais seriam um ponto de partida para as eleições gerais de 2015. Nosso objetivo deveria ser conquistar a maioria para estabelecer a nova Constituição”, disse Erdogan em reunião com lideranças do AKP nesta quinta-feira. O discurso foi transmitido pela televisão turca.
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As eleições gerais estão previstas para junho. Atualmente, o AKP ocupa 313 das 550 cadeiras no Parlamento, maioria significativa, mas ainda abaixo dos dois terços necessários para revisar o texto constitucional.
O premiê terá de encerrar formalmente sua ligação com o partido que fundou há treze anos a partir do dia 28 deste mês, quando toma posse como presidente. Para liderar a legenda e também para substitui-lo no cargo de primeiro-ministro, Erdogan busca nomes leais, no intuito de se eternizar no poder. Seu governo impõe um autoritarismo crescente no país, o que desagrada parte da população, mas não abala o apoio oriundo da parcela mais religiosa, que é maioria nas áreas rurais e vive submetida ao clero islâmico.
Corrupção – No discurso, o primeiro desde sua vitória nas eleições de domingo, Erdogan também afirmou que vai continuar a enfrentar o clérigo islâmico Fetullah Gülen, que já foi seu aliado, mas agora é visto como uma ameaça ao seu governo. Para Erdogan, Gülen e seus aliados na Justiça turca foram responsáveis pelas denúncias de corrupção que o atingiram no final do ano passado. Policiais, juízes e promotores foram afastados em uma operação do premiê turco para tentar reduzir a influência de Gülen e abafar o escândalo.
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“É uma organização que ameaça nossa segurança nacional. Temos novas provas, novos arquivos”, disse, sobre o movimento liderado por seu desafeto. “Eles não têm como alvo Recep Tayyip Erdogan, sua família, seus colegas, seus amigos. O alvo é a nossa independência, nossa bandeira, nosso país e nosso povo”.
(Com agência Reuters)
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