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Em Seul, papa pede fim das ‘demonstrações de força’

Pontífice defendeu que a paz deve ser alcançada pelo diálogo. Antes da chegada de Francisco, Coreia do Norte lançou foguetes ao mar

O papa Francisco ao lado a presidente sul-coreana, Park Geun-hye, em Seul
O papa Francisco ao lado a presidente sul-coreana, Park Geun-hye, em Seul (Reuters)
O papa Francisco fez nesta quinta-feira em Seul um apelo às duas Coreias para que superem as "recriminações" e interrompam "a mobilização de forças", ao destacar que a paz só poderá ser alcançada por meio do diálogo e do perdão. “Enquanto arte do possível, a diplomacia baseia-se numa convicção firme e perseverante de que a paz pode ser melhor alcançada pelo diálogo e a escuta atenta e discreta, do que com recriminações recíprocas, críticas inúteis e demonstrações de força”.
Diante da presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, e de várias autoridades do país, o pontífice elogiou "os esforços feitos a favor da reconciliação e da estabilidade na península coreana". “Encorajo tais esforços, que são o único caminho seguro para uma paz duradoura. A busca da paz por parte da Coreia é uma causa que nos preocupa particularmente, pois concorre para a estabilidade de toda a região e do mundo inteiro, cansado da guerra”, afirmou, em declarações reproduzidas pelo serviço de notícias do Vaticano.
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Falando em inglês pela primeira vez em um evento oficial, Francisco evitou citar o regime comunista norte-coreano, apesar das referências às injustiças, perseguições e mobilização de forças que representaram uma alusão a Pyongyang. Pouco antes da chegada do papa em Seul, o regime de Kim Jong-un lançou ao mar cinco foguetes de curto alcance. Pela manhã, foram três lançamentos, no momento em que o avião que levava o pontífice se aproximar do espaço aéreo sul-coreano. Houve mais dois disparos à tarde, informou a rede britânica BBC.
A Coreia do Norte tem realizado uma série de lançamentos como forma de provocação nos últimos meses. As Coreias do Norte e do Sul mantêm uma convivência tensa, com ameaças constantes do regime do Norte contra o vizinho. Os dois países vivem sob um armistício desde a Guerra da Coreia (1950-53). “Nós coreanos acreditamos que a dor das Coreias pode ser curada com sua visita e esperamos que esta nos leve à reconciliação”, disse a presidente Park Geun-hye ao papa. Segundo autoridades sul-coreanas, o Norte rejeitou um convite da arquidiocese de Seul para que dez católicos norte-coreanos acompanhasse a missa de "reconciliação" que vai encerrar as atividades de Francisco no país.
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A visita de cinco dias do pontífice à Coreia do Sul, onde vivem 5,4 milhões de católicos (cerca de 10% da população), é a primeira de um papa ao país em 25 anos. João Paulo II visitou a Coreia do Sul em 1989, quando rezou pela reunificação. Neste sábado, Francisco participará da beatificação de mais de 100 mártires sul-coreanos na emblemática Praça de Gwanghwamun, na capital, um evento em que são esperadas um milhão de pessoas, segundo as autoridades.
China – A caminho de Seul, o papa enviou um comunicado ao governo chinês, um costume quando o pontífice vai sobrevoar algum país. O Vaticano não tem laços diplomáticos com Pequim, mas o avião obteve autorização para cruzar o espaço aéreo chinês.
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A agenda de Francisco na Coreia do Sul inclui um festival para a juventude católica. Mais de 100 jovens chineses deveriam participar, mas a metade foi impedida de viajar, devido a “uma situação complicada na China”, segundo a explicação oficial dada pelo comitê que organiza a visita à Coreia do Norte. Outra fonte do comitê, que não foi identificada pela agência de notícias Reuters, disse que alguns dos que iriam participar foram presos por autoridades chinesas. A China rejeita a autoridade do Vaticano sobre os católicos do país.
(Com agências EFE e France-Presse)

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