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Secretário argentino é denunciado por 'acobertar homicídio'

O secretário Sergio Berni esteve na residência de Nisman antes da chegada dos responsáveis pelo caso. Autor da denúncia foi um político oposicionista

O secretário de Segurança da Argentina, Sergio Berni, foi denunciado na Justiça para que se investigue sua presença na residência onde o procurador-geral Alberto Nisman foi encontrado morto, antes da chegada da procuradora e do juiz responsável pelo caso. O político oposicionista Juan Ricardo Moussa acionou Berni na Justiça por ter cometido o crime de "descumprimento dos deveres de funcionário público" e "acobertamento de homicídio", segundo o texto da denúncia.
Nisman foi encontrado morto em sua casa, em circunstâncias estranhas, na noite de domingo para segunda-feira, com um tiro na têmpora, poucos dias depois de ter denunciado a presidente, Cristina Kirchner, e vários de seus colaboradores pela tentativa de acobertar terroristas iranianos, que teriam sido responsáveis pelo ataque contra a associação israelita Amia, em 1994. Moussa acusou Berni e os policiais encarregados da segurança de Nisman de "cumplicidade" para proteger a presidente, já que o promotor guardava parte das provas que fundamentam a denúncia contra Cristina em sua casa.
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"Há graves irregularidades por parte da Polícia Federal argentina no caso do Dr. Nisman. Quem é Berni para entrar na cena do crime e não denunciar à Justiça?", questionou Moussa na denúncia. Além disso, o oposicionista alertou que "a investigação pode ter de início uma gravíssima irregularidade" já que a cena do crime esteve "monopolizada" pelo secretário e pela polícia durante horas.
Em declarações ao canal de televisão ‘Todo Noticias’, Berni afirmou nesta quarta que foram tomadas todas as precauções para preservar as provas na residência de Nisman e que não entrou, nem deixou "que ninguém entrasse", no banheiro onde o promotor foi encontrado morto até a chegada dos peritos. "Os primeiros a entrar no recinto foram a mãe junto com um membro da segurança particular de Nisman, da Polícia Federal. Quando viram que a porta do banheiro estava aberta e com a luz acesa, o policial tentou entrar, mas não conseguiu, pois o corpo estava na frente da porta", detalhou o secretário. Berni afirma que chegou à casa de Nisman "não mais que um minuto ou dois" antes do juiz, e que a procuradora chegou mais tarde.
Novas dúvidas – Novas revelações e descobertas lançam mais dúvidas sobre as circunstâncias da morte do procurador-geral. Nesta quarta, o chaveiro chamado para abrir a porta do apartamento de Nisman revelou que a entrada de serviço estava aberta. A declaração foi feita em um depoimento à Viviana Fein, promotora que investiga o caso, e contraria a versão oficial dada pela polícia. Sergio Berni tinha dito que as portas de serviço e principal foram trancadas por dentro, de modo que ninguém poderia ter entrado ou saído do apartamento
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Também nesta quarta, foi encontrada uma terceira entrada para o apartamento, um corredor estreito onde ficam os aparelhos de ar condicionado, ligando a residência de Nisman a um vizinho. Em cada extremidade do corredor há uma porta de metal para cada apartamento. Nesta passagem, usada para a manutenção dos aparelhos de ar condicionado, foi encontrada uma pegada recente e uma impressão digital. A investigação também ainda não esclareceu porque os paramédicos que foram chamados ao local, um prédio residencial em Porto Madero, região nobre da capital argentina, não puderam entrar. O serviço de emergência Same confirmou que recebeu duas chamadas no domingo, mas não foram autorizados a subir ao 13º andar, no apartamento de Nisman. O primeiro médico a ver o corpo foi de uma equipe da Swiss Medical, que foi chamada pela mãe do procurador-geral.

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