Nova frente da Lava Jato apura remessa de US$ 124 mi ao exterior
Movimentação foi feita por empresas consideradas de fachada pela Polícia Federal, segundo jornal. Esquema foi o mesmo utilizado pelo doleiro Youssef
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Segundo o jornal, os investigadores ainda não descobriram se as empresas responsáveis pela remessa de 124 milhões de dólares foram usadas para escoar propinas relativas ao petrolão ou em esquema paralelo. O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, foi informado em novembro pelo Banco Central das movimentações de um grupo de empresas que a Polícia Federal mais tarde apontou como de fachada.
Uma delas, a madeireira Alnapa Soluções, está registrada em nome da vendedora de Roupas Vanessa Regina de Almeida Dutra Pontes, viúva e mãe de dois filhos. Procurada pelo jornal, ela narrou o susto que levou ao ser procurada pela PF. "Eu chorei, chorei, preocupada com meus filhos", contou. Vanessa vive na periferia de Curitiba e disse ter fornecido seus dados para a abertura da Alnapa a pedido de um conhecido, o vendedor de cosméticos Djalma Aparecido Machado. Também ouvido pela Folha, Machado alega que fez apenas uma operação de importação, no valor de 100.000 dólares, mas desconhece todo o resto movimentado pela empresa. Ambos foram ouvidos pelos investigadores e agora a PF busca descobrir quem são os donos do dinheiro enviado ao exterior.
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Segundo o BC informou a Moro em novembro, cinco empresas relacionadas a Alnapa e uma segunda firma, a WS Business, enviaram ao exterior o montante investigado. De acordo com o jornal, a autoridade monetária afirmou que quatro delas "não foram habilitadas para atuar no comércio exterior" e outra teve a habilitação suspensa por inatividade. Já a PF detectou que as empresas são "de fachada, com vultosas movimentações financeiras entre si". A City Clean Serviços Especiais, por exemplo, remeteu mais de 7,8 milhões de dólares e funcionava numa casa de madeira sem letreiros no bairro de Cajuru, em Curitiba. As demais empresas são Conferlix, DJJ, Dantas Import e Sena e Franca.
As empresas passaram a ser investigadas a partir do depoimento do consultor Luccas Pace Júnior, condenado por evasão de divisas em outro processo da Lava Jato por ligação com a doleira Nelma Kodama. Condenada a 18 anos de prisão pela prática de 91 crimes, Nelma está presa desde o dia 15 de março de 2014, quando foi flagrada pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos com 200.000 euros escondidos na calcinha, quando embarcava em voo para Milão, na Itália.
Nelma era próxima do doleiro Alberto Youssef, o principal alvo da Lava Jato. Entre maio e novembro de 2013, a doleira conseguiu, com a ajuda de subordinados, enviar ilegalmente 5,27 milhões de dólares para o exterior, por meio de 91 contratos de câmbio fraudulentos que simulavam importações. O grupo de Nelma movimentou 103 milhões de reais em transações feitas por empresas de fachada entre 2012 e 2013, de acordo com rastreamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
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