Alta da Selic é coerente com ajuste fiscal, dizem especialistas
Para economistas, aperto monetário aliado a medidas de ajuste fiscal reforçam mudanças na política econômica. Expectativa é de alta de até 0,5 p.p. na Selic
Analistas consultados pelo Banco Central (BC) no último relatório Focus projetam Selic a 12,25% após a reunião desta quarta-feira ()
Se confirmado, o aumento dos juros será uma reação à aceleração de preços ao consumidor. Em 2014, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, fechou o acumulado do ano em 6,41%, muito perto do teto da meta estabelecida pelo governo, de 6,5%. O índice ficou bem distante do centro da meta, de 4,5%, e este ano promete ser ainda mais difícil. Isso porque o pacote de aumento de impostos anunciado na noite de segunda-feira pelo governo piorou ainda mais as expectativas de inflação para este ano, com projeções acima de 7%, cada vez mais longe do teto da meta oficial.
A equipe do banco Brasil Plural aposta em uma elevação de 0,5 p.p. nesta reunião, o que deixaria a porta aberta para uma nova alta de 0,25 p.p. ou 0,5 p.p. na reunião seguinte, em março. Segundo o banco, apesar da recente queda acentuada nos preços do petróleo e da avaliação geral de que a recuperação da economia global pode estar ameaçada, seria difícil o Copom não elevar a Selic em 0,5 p.p. na reunião desta semana, devido à linguagem dura usada em documentos recentes. Mesmo assim, dizem os analistas, será interessante ver se e como o BC começa a incluir essa mudança no cenário global nas suas deliberações, assim como o considerável aperto fiscal que tem sido promovido pelo governo.
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Na segunda-feira, o governo anunciou um pacote de medidas fiscais que inclui a retomada da cobrança da Cide, o imposto sobre combustíveis; a elevação de 9,25% para 11,75% da alíquota do PIS/Cofins para produtos importados; a equiparação do atacadista ao industrial para a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre setor de cosméticos e o aumento da faixa para operações de crédito (IOF) de 1,5% para 3%. A intenção é provocar uma economia de R$ 20,36 bilhões aos cofres públicos.
O professor de economia do Insper João Luiz Mascolo avaliou que a estratégia do atual governo é dar, como primeiro passo, um choque de credibilidade. "A atual equipe econômica quer mostrar que as politicas fiscal e monetária estão no rumo correto. Depois, o investimento deve reagir e, com isso, gerar renda, aquecendo novamente o consumo", afirmou.
Segundo Mascolo, futuras quedas da Selic só devem acontecer em 2016, quando o nível de investimento do país atingir o patamar de 19% do Produto Interno Bruto (PIB). "O maior esforço neste momento será fiscal, que deve ser coordenado à política monetária", afirma Rodrigo Zeidan, professor de economia da Fundação Dom Cabral. "Atualmente, a crença com o ajuste (fiscal) é bem maior. Há uma sensação de mudança na direção da política econômica", acrescenta.
A projeção de Selic a 12,25%, no entanto, não é consenso entre os analistas. Antônio Corrêa Lacerda, professor de economia da PUC-SP, é da corrente dos que acreditam em uma elevação menor, de 0,25 p.p. "Novas elevações da Selic teriam mais efeito maléfico do que benéfico para a economia, como o encarecimento do crédito e a elevação de custos do financiamento da divida publica, por exemplo", afirmou.
O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, concorda. "A atividade econômica já está em queda. A indústria está desacelerando fortemente e os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) confirmam uma criação de emprego menor que levará à um aumento do desemprego", afirmou, em relatório
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