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Rússia diz ter provas que ligam rebeldes a ataque químico

Informações foram repassadas ao governo russo pelo regime de Bashar Assad. Segundo vice-chanceler russo, material será analisado com 'máxima seriedade'

O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, em imagem de 2010 em Nova York
O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov (Don Emmert/AFP)
O governo russo afirmou nesta quarta-feira que recebeu do regime sírio provas que ligam grupos de oposição ao ditador Bashar Assad ao uso de armas químicas no massacre perpetrado contra civis na periferia de Damasco, em 21 de agosto. As declarações foram dadas pelo vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, que afirmou que Moscou vai examinar o material recebido com a “máxima seriedade”.
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As declarações do vice-chanceler foram dadas após conversas com o ministro sírio de Relações Exteriores, Walid al-Muallem. "Os materiais correspondentes foram entregues para o lado russo. Fomos informados de que eles eram evidência de que os rebeldes estão envolvidos no ataque químico", afirmou Ryabkov, segundo agências de notícias russas.
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Segundo Ryabkov, o relatório das Nações Unidas sobre o ataque com armas químicas na Síria decepcionou o governo russo. Ele alegou que o documento da ONU é seletivo e ignorou outros episódios. "Sem um quadro completo não podemos descrever o caráter das conclusões como outra coisa senão politizado, tendencioso e unilateral", afirmou.


O relatório a que Ryabkov se refere foi oficialmente divulgado na segunda-feira pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. O documento apontou que houve uso de gás sarin, o que a inteligência americana já havia afirmado há vários dias.  Depois de confirmar o uso de armamento químico, Ban foi questionado sobre quem deveria ser responsabilizado pelo massacre, mas se negou a culpar o ditador sírio ou as forças rebeldes. “Outros terão o papel de decidir se esta questão será levada mais a fundo para determinar a responsabilidade. Foi um grave crime e os responsáveis precisam ser levados à Justiça o mais rápido possível”, limitou-se a dizer.
Ao apresentar o relatório, o secretário-geral classificou o ataque do dia 21 de agosto como um “crime de guerra”. “Este é um crime de guerra, e uma grave violação”, afirmou Ban Ki-moon, classificando o episódio como “o uso de armas químicas contra civis de maior impacto” desde o ataque perpetrado pelo ditador Saddam Hussein contra a população curda de Halabja, norte do Iraque, em 1988.
Cerca de dez dias após o ataque, o governo americano afirmou que pelo menos 1 429 sírios foram mortos no ataque químico – 426 deles, crianças. Segundo os Estados Unidos, três dias antes do ataque do dia 21, o pessoal de armas químicas do governo já estava preparando o ataque no subúrbio de Damasco. As equipes foram avisadas que deveriam se preparar, “usando máscaras de gás” e tomando outras precauções. Além disso, a inteligência americana averiguou que os ataques partiram de áreas controladas pelo regime e foram lançados apenas contra posições controladas por opositores.

Os principais grupos de oposição na Síria

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Conselho Nacional Sírio (CNS)

Burhan Ghalioun, primeiro presidente do Conselho Nacional Sírio, discursa em Viena, na Áustria, em dezembro de 2011 Criação: Outubro de 2011
Chefe: George Sabra
Princípios: lutar contra o regime usando meio legais; rejeitar divisões étnicas; proteger a independência e a soberania nacional, opondo-se à intervenção militar estrangeira.
Fundado na Turquia por exilados políticos, o conselho é dominado por muçulmanos sunitas que lutam contra cristãos e alauítas leais ao regime de Bashar Assad. O grupo é composto por 17 organizações menores e indivíduos que propõem uma administração interina para o período pós-Assad e um projeto de reconciliação nacional, além da criação de uma comissão judicial para investigar crimes contra a humanidade e eleições para formar uma assembleia constituinte.
A Irmandade Muçulmana exerce influência no CNS e o atual presidente, um cristão ortodoxo, representa a maioria de integrantes originários do grupo fundamentalista. Sabra substitui Abdel Baset Sayda, curdo que deixou o cargo em novembro de 2012, logo após a criação da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS).
(Com Estadão Conteúdo e agência France-Presse) 

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