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Presidente iraniano prega fim da rivalidade com os EUA

Usando o mesmo método de Putin, Hassan Rohani assina artigo em jornal americano e pede "abordagem construtiva" na diplomacia entre os dois países

O clérigo reformista Hassan Rohani venceu as eleições presidenciais
'Precisamos trabalhar juntos para acabar com as rivalidades nocivas', disse Rohani (Majid Hagdost/Reuters)
Uma semana depois de Vladimir Putin ter se dirigido aos americanos em um artigo no New York Times, foi a vez do presidente iraniano Hassan Rohani usar o mesmo artifício para expor suas expectativas sobre o futuro das relações diplomáticas entre Teerã e Washington. Em uma coluna publicada nesta sexta-feira pelo jornal The Washington Post – concorrente do NYT –, o governante-articulista prega uma "abordagem construtiva" nas negociações diplomáticas entre os países.

"Precisamos trabalhar juntos para acabar com as rivalidades nocivas e com as ingerências que alimentam a violência e nos separam", destacou o moderado sucessor de Mahmoud Ahmadinejad no artigo intitulado "Por que o Irã busca um compromisso construtivo". No editorial, Rahoni defende o diálogo nos dois temas mais delicados entre os dois países: o conflito na Síria, onde os EUA defendem os rebeldes e os iranianos apoiam Assad, e o programa nuclear de Teerã. "Para superar os impasses precisamos apontar mais alto. Em vez de focar em como prevenir que as coisas piorem, devemos pensar - e falar - sobre como melhorá-las", argumentou.

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Em um exemplo da boa vontade dessa nova política diplomática, Rahoni anunciou a disposição do Irã em atuar como mediador nas conversas entre o governo sírio e a oposição. "Precisamos criar uma atmosfera onde as pessoas da região possam decidir o seu próprio destino", defendeu ele, em uma crítica às tentativas já malogradas dos EUA de intervir militarmente na guerra.

Aproximação - Esta não é a primeira vez que o presidente iraniano sinaliza com uma aproximação com os Estados Unidos, após anos de tensão entre os dois países durante o governo de Ahmadinejad. Eleito em agosto com o slogan “prudência e esperança”, o político declarou na última quarta-feira, em entrevista para a rede americana NBC, que seu país nunca desenvolverá uma bomba nuclear – o maior temor da comunidade internacional em relação ao programa nuclear iraniano. Na conversa, Rahoni também revelou que manteve uma troca de mensagens "positiva e construtiva" com Obama na semana passada. "Podem ser passos sutis para um futuro muito importante", disse ele.

Apesar da retórica conciliatória de Rohani, os EUA ainda suspeitam que o Irã pode estar buscando ganhar tempo para desenvolver a tecnologia para a produção de armas atômicas. Na semana passada, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que o Irã está limitando a capacidade da ONU de verificar a natureza e os objetivos do programa nuclear do país.

Enrolador - Apesar de ser visto como um político moderado pelo Ocidente – principalmente em comparação ao bravateiro Ahmadinejad –, Rohani já provou no passado ser um bom enganador de diplomatas. Como negociador-chefe nuclear na década passada, o agora presidente se especializou em enrolar os inspetores da ONU enquanto as centrífugas para enriquecer urânio do país se multiplicavam.

A Casa Branca ainda não comentou artigo, mas em resposta à entrevista da última quarta, o porta-voz do governo americano Jay Carney declarou que "ações valem mais do que palavras" e que "a mão de Obama está estendida" aos iranianos desde o primeiro mandato do presidente, em 2009. Embora ainda não esteja confirmado, um possível encontro entre os dois governantes durante a Assembleia-Geral da ONU, que acontece no final do mês em Nova York, pode servir de teste para os EUA avaliarem as reais intenções da "abordagem construtiva" do Irã.

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