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Wagner mantém licitação com apenas um participante no metrô de Salvador

Governador da Bahia admite que 'pode parecer estranho' contratar grupo ligado a empresas sob suspeita, mas nega irregularidade

 
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SALVADOR - O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), reconheceu ontem que “pode parecer estranha” a contratação de um consórcio ligado a empresas suspeitas de irregularidades em obras do metrô de Salvador, mas defendeu a atual licitação. Ontem, em São Paulo, foi aberta a proposta comercial da Companhia de Participações em Concessões (CPC), única a disputar a nova construção e operação do sistema na capital baiana.
As empreiteiras Camargo Correa e Andrade Gutierrez são acionistas da CCR, integrante do grupo vencedor da atual licitação. Essas construtoras trabalharam nas do metrô de Salvador contratadas em 1999, pela prefeitura, ao lado da Siemens, no consórcio Metrosal. Esse grupo é investigado pelo Ministério Público Federal por suspeitas de fraude na licitação, desvios de verbas e formação de cartel. A obra, ainda inacabada mesmo após consumir R$ 1 bilhão, também é alvo do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou superfaturamento de R$ 166 milhões (R$ 400 milhões atualizados).
“Se houve problemas com a licitação anterior, que se pergunte ao prefeito que a fez”, disse Wagner. “Quando assumimos a operação do metrô (em maio), fizemos o distrato com a Metrosal, sem nenhum compromisso nosso de pagar nada que não seja o reconhecido pelo Tribunal de Contas da União, e anunciamos a nova licitação.”
A oposição pressiona pelo cancelamento da licitação. Wagner descarta essa hipótese. “A CCR é uma concessionária, com ações na Nova Bolsa, que é muito mais rígida com as empresas. Claro que ela deve contratar os serviços de suas acionistas, mas a Camargo e a Andrade vão ter de apresentar preço, se não os acionistas minoritários vão chiar.”
O diretor de novos negócios da CCR, Leonardo Vianna, disse não haver ligação direta entre as empresas e o consórcio vencedor da licitação. “Quem tem a participação são os grupos Andrade Gutierrez e Camargo Correa, através de seus veículos próprios.”

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