EUA não intervêm contra Assad por desconfiar de rebeldes
Afirmação foi feita pelo general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior Conjunto, em carta enviada esta semana a congressista
O presidente americano Barack Obama e o chefe do Estado-Maior Martin Dempsey
A administração Obama é contra uma ação militar na Síria, mesmo que de forma limitada, por considerar que os rebeldes que lutam contra o ditador Bashar Assad não apoiariam os interesses americanos se tomassem o poder. A afirmação foi feita por Martin Dempsey, general-chefe do Estado-Maior Conjunto, o militar com mais alta patente dos Estados Unidos, em carta enviada na segunda-feira a um congressista. A correspondência foi obtida pela agência Associated Press.
Na carta, o general ressalta que o Exército americano tem capacidade para destruir as forças aéreas do governo e enfraquecer Assad. No entanto, uma decisão neste sentido levaria os EUA para dentro de um conflito que se tornou uma luta sectária, sem estratégia para acabar com a guerra.
Vítimas do ataque na região de Goutha, na Síria, em 21/08/2013 - Bassam Khabieh/Reuters
“Não se trata de escolher um dos dois lados na Síria, mas, sim, escolher um entre muitos lados. Eu acredito que o lado que escolhermos deve estar preparado para promover os nossos interesses quando a balança pender a seu favor. Hoje, eles (os rebeldes) não estão”, escreveu Dempsey ao deputado democrata Eliot Engel.
Ele alerta ainda que a Síria enfrenta um “conflito profundamente enraizado, de longa duração, entre múltiplas facções, com batalhas violentas pelo poder, que continuarão depois que o regime de Assad terminar”. Leia também: Missão da ONU chega à Síria para investigar uso de armas químicas EUA consideram ‘repulsiva’ página de Assad no Instagram Rebeldes sírios dizem ter recebido armas de 'países irmãos'
Nesta quarta, depois de opositores acusarem o governo de realizar um ataque com armas químicas que deixou mais de 1 000 mortos, a Casa Branca expressou “profunda preocupação” e pediu uma investigação urgente das Nações Unidas sobre a alegação. O ataque representaria uma violação flagrante do limite apontado pelo presidente Obama para uma possível ação militar no país.
Há oito meses, o governo americano reconheceu a Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução como “representante legítima” do povo sírio. No entanto, mais de cinquenta grupos rebeldes tentam acabar com as quatro décadas de domínio da família Assad no país. Nem todos estão interessados em receber ajuda do Ocidente.
Em junho, a inteligência americana concluiu que forças ligadas ao regime Assad usaram armas químicas no país, incluindo gás sarin. O uso teria ocorrido em pequena escala e deixado entre 100 e 150 mortos. Depois da afirmação, veio a informação de que o governo Obama teria planos de de enviar armas aos rebeldes sírios. Não há indícios, porém, de que a oposição tenha, de fato, recebido armamentos e munições dos EUA.
Locais dos ataques com armas químicas na Síria
Os principais grupos de oposição na Síria
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Conselho Nacional Sírio (CNS)
Burhan Ghalioun, primeiro presidente do Conselho Nacional Sírio, discursa em Viena, na Áustria, em dezembro de 2011Criação: Outubro de 2011 Chefe: George Sabra Princípios: lutar contra o regime usando meio legais; rejeitar divisões étnicas; proteger a independência e a soberania nacional, opondo-se à intervenção militar estrangeira.
Fundado na Turquia por exilados políticos, o conselho é dominado por muçulmanos sunitas que lutam contra cristãos e alauítas leais ao regime de Bashar Assad. O grupo é composto por 17 organizações menores e indivíduos que propõem uma administração interina para o período pós-Assad e um projeto de reconciliação nacional, além da criação de uma comissão judicial para investigar crimes contra a humanidade e eleições para formar uma assembleia constituinte.
O atual presidente é George Sabra, cristão ortodoxo que representa uma maioria de integrantes originários da Irmandade Muçulmana. Sabra substitui Abdel Baset Sayda, curdo que deixou o cargo em novembro de 2012, logo após a criação da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS).
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Conselho Nacional Sírio (CNS)
Burhan Ghalioun, primeiro presidente do Conselho Nacional Sírio, discursa em Viena, na Áustria, em dezembro de 2011Criação: Outubro de 2011 Chefe: George Sabra Princípios: lutar contra o regime usando meio legais; rejeitar divisões étnicas; proteger a independência e a soberania nacional, opondo-se à intervenção militar estrangeira.
Fundado na Turquia por exilados políticos, o conselho é dominado por muçulmanos sunitas que lutam contra cristãos e alauítas leais ao regime de Bashar Assad. O grupo é composto por 17 organizações menores e indivíduos que propõem uma administração interina para o período pós-Assad e um projeto de reconciliação nacional, além da criação de uma comissão judicial para investigar crimes contra a humanidade e eleições para formar uma assembleia constituinte.
O atual presidente é George Sabra, cristão ortodoxo que representa uma maioria de integrantes originários da Irmandade Muçulmana. Sabra substitui Abdel Baset Sayda, curdo que deixou o cargo em novembro de 2012, logo após a criação da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS).
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Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS)
Dirigentes da Coalizão Nacional das Forças de Oposição da Revolução Síria em março de 2013Criação: Novembro de 2012 Chefes: George Sabra (presidente) Princípios: defender a soberania e independência nacional com um regime civil e democrático; preservar a unidade do povo sírio e do país; não estabelecer nenhum diálogo ou negociação com o regime de Assad
Em resposta à pressão estrangeira por uma nova aliança que substituísse o Conselho Nacional Sírio, visto como ineficiente e consumido por disputas internas, as facções de oposição se reuniram no Catar para assinar o acordo de criação da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS). Basicamente, o objetivo da CNFROS é o mesmo que o CNS – derrubar por via legal o ditador Bashar Assad e estabelecer um “estado civil democrático e pluralístico”. No entanto, ela tem a pretensão de ser um conselho de liderança mais inclusivo, que assuma o papel de representante legítima do país para receber ajuda financeira e militar de países estrangeiros.
De fato mais abrangente, a coalizão conta com membros de outros 14 grupos opositores, incluindo o próprio Conselho Nacional Sírio. Mas não aceita militantes islâmicos como os da Frente Al-Nusra, classificada como grupo terrorista pelos Estados Unidos.
Assim que foi criada, a CNFROS conseguiu o reconhecimento dos países do Conselho de Cooperação do Golfo, das 21 nações da Liga Árabe, de alguns países europeus e dos Estados Unidos. Mas a aliança enfrenta problemas semelhantes aos do CNS, e não conseguiu formar um governo provisório dentro da Síria para administrar as áreas dominadas pelos rebeldes.
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Exército Sírio Livre (ESL)
Criação: Julho de 2011 Chefe: Reyad Musa Al Asaad Princípios: proteger os cidadãos sírios
O Exército Livre da Síria é considerado o principal braço armado de oposição ao regime de Bashar Assad. O grupo reúne civis, militantes islâmicos e, principalmente, desertores das Forças Armadas. Comandado pelo coronel e ex-integrante da Força Aérea Reyad Musa Al Asaad, o ESL diz não possuir nenhuma pretensão política e ser independente de qualquer etnia e religião. Seu objetivo declarado é proteger a população síria dos abusos do governo.O grupo já teve sede na Turquia, país que ainda é usado como refúgio por membros do braço armado rebelde. A principal reclamação do ESL é a falta de recursos e armamentos.
Inicialmente, as operações do grupo tinham como alvo comboios militares no noroeste do país, mas depois se espalharam para outras partes do território. No entanto, o ELS já admitiu que não tem como manter o controle de uma área e realizar um confronto direto com as Forças do governo, estimadas em200.000 soldados. O grupo de oposição afirma ter mais de 40.000 homens, mas analistas dizem que o contingente não deve passar dos 10.000 integrantes.
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Frente Al-Nusra
Membro da Frente Al-Nusra segurabandeira islâmica na província de Ragga, na SíriaCriação: Janeiro de 2012 Chefe: Abu Mohammed Al-Julani Princípios: estabelecer um estado islâmico com base nas regras da sharia; o grupo realiza ataques com bombas a alvos do governo e facções muçulmanas contrárias a sua ideologia.
O grupo jihadista, que é classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, recentemente jurou lealdade ao chefe da Al Qaeda, mas disse que quer manter sua identidade, sem se fundir com a rede extremista.
O grupo já reivindicou a responsabilidade por diversos ataques com bombas no país e justifica suas ações como uma reação às atrocidades cometidas pelas forças sírias e milícias pró-Assad. O grupo também já deixou claro que considerada Israel e Estados Unidos inimigos do Islã e que combatem muçulmanos de outras facções, como os alauítas.
A existência de grupos ligados a organizações terroristas é um dos principais argumentos que levam os países ocidentais a relutar em relação ao envio de armas aos rebeldes.
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Comitê Nacional de Coordenação por Mudança Democrática (CNC)
Criação: Setembro de 2011 Chefe: Hassan Abdul Azim Princípios: construir um Estado democrático e civil; rejeitar o sectarismo e a intervenção estrangeira; garantir na Constituição os direitos da etnia curda.
O comitê é um dos poucos a defender o diálogo com o governo de Bashar Assad como saída para a crise no país. A ideia é promover uma transição gradual para a democracia sem que seja necessário derrubar o regime, mas com algumas condições: anistia aos presos políticos, retirada dos militares das ruas e permissão de protestos pacíficos.
Contrários a qualquer intervenção exterior e defensores do aumento das sanções para pressionar Assad, os membros do Comitê criticam a Coalizão Nacional Síria, por acreditar que ela impõe sua legitimidade como representante do povo e enfraquece a relação de outros grupos democráticos com países ocidentais, e também o Conselho Nacional Sírio, que acusa de não ter ideologia, ser fraco e dominado pela influência da Irmandade Muçulmana.
Muitos grupos oposicionistas enxergam o Comitê Nacional como outra face do governo e não o reconhecem como oposição. A organização é formada por partidos políticos esquerdistas, três partidos políticos curdos, políticos independentes e jovens ativistas.
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