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Após invasões, Câmara prepara reforço na segurança

Em dois protestos, policiais, bombeiros e profissionais da saúde invadiram plenário nesta terça-feira e quase causaram suspensão de votação

 
Policiais invadem o plenário da Câmara dos Deputados, para protestar a favor da PEC 300
Policiais invadiram plenário da Câmara dos Deputados nesta terça
Um dia após policias e bombeiros terem invadido o plenário da Câmara dos Deputados, o presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) convocou na manhã desta quarta-feira uma reunião com líderes partidários para estudar medidas para aumentar a segurança da Casa. Alves solicitou à Diretoria Geral que elabore um projeto com critérios para o trânsito de visitantes e manifestantes nos principais locais da Câmara, como o Salão Verde, o plenário e as comissões. A proposta deve ficar pronta na próxima semana.
Nesta terça-feira, dia em que estava agendada a votação dos vetos presidenciais, um grupo formado principalmente por policiais e bombeiros, além de representantes de entidades de saúde contrárias e favoráveis ao Ato Médico, invadiu o plenário da Câmara com uma surpreendente facilidade. Com cartazes e apitos, eles forçaram a segurança e entraram no local, que já estava com a sessão aberta. Para entrar no Congresso Nacional, muitos também avançaram sobre os seguranças e sequer fizeram registros na portaria principal.
Após o episódio, Alves pediu que os manifestantes se retirassem sob a ameaça de não colocar em votação a PEC 300, proposta que trata do piso salarial para policiais e bombeiros. “As pessoas têm de entender que a democracia é feita de manifestações respeitosas para que não haja uma invasão ao plenário. Isso é inadmissível”, comentou o presidente da Casa nesta manhã. “Em vez de construir uma boa vontade, esse tipo de comportando constrói uma rejeição.” Alves afirmou que as providências a serem tomadas ainda estão sendo avaliadas, mas que é evidente a necessidade de aumentar o controle de acesso à Câmara.
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), também criticou a invasão. Segundo ele, os responsáveis pelo caso, sejam eles parlamentares ou não, têm de ser julgados e punidos. Chinaglia apontou que foram apresentadas diversas propostas para evitar que as cenas de terça-feira se repitam. As sugestões passam desde ações de logística, como a restrição do acesso a um anexo ou às comissões, à necessidade de criação de um serviço de inteligência para apoiar a atuação da Polícia Legislativa. Uma das possibilidades seria recorrer à polícia militar do Distrito Federal em situações de anormalidades.
Outra possibilidade, esta levantada pelo líder do PPS, Rubens Bueno (PR), seria a utilização de adesivos específicos para identificar o local que o visitante frequentará. Para ter acesso a outro setor da Câmara, ele teria de fazer um novo cadastro ou deixar os seguranças de sobreaviso. Para Bueno, locais por onde os deputados transitam, como o Salão Verde, devem ter o acesso limitado. Já o plenário, exclusivo apenas a parlamentares e assessores. “É assim que funcionam todos os parlamentos do mundo. Não é possível que a gente não consiga ter o mínimo de organização para ter tranquilidade ao votar. É um tumulto tão grande, são lobistas dentro do plenário te pressionando para votar. Isso é inconcebível”, alegou.
Índios – A invasão ao plenário desta terça-feira foi a segunda do ano. Em abril, índios de diversas etnias tomaram o local por cerca de 40 minutos para manifestar contra a votação do projeto que transfere para o Congresso a competência pela demarcação de terras indígenas. Munidos de porretes, arco e flechas, os indígenas causaram temor aos parlamentares, que deixaram o plenário às pressas assim que eles adentraram. 

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