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 BC anuncia leilões diários no mercado de câmbio até o fim do ano

Autoridade afirmou que ofertará um total de 100 bilhões de dólares entre leilões de contratos de swap cambial e de linha, que é a venda de dólares com compromisso de recompra em prazo determinado

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central
Alexandre Tombini, presidente do Banco Central (Ueslei Marcelino/Reuters)
A partir desta sexta-feira, o Banco Central (BC) adota outra estratégia para conter a volatilidade cambial, que deve durar, pelo menos, até 31 de dezembro. A autoridade monetária vai fazer leilões diários no total de aproximadamente 100 bilhões de dólares. Até agora, o BC ofertou 45 bilhões de dólares, o que leva a um saldo próximo de 55 bilhões de dólares até o fim do ano. As ofertas incluem leilões de swap cambial e de linha (venda de dólares com compromisso de recompra).
A programação será: de segunda a quinta-feira, serão ofertados 500 milhões de dólares por dia. Às sextas, será oferecida ao mercado uma linha de crédito de 1 bilhão de dólares por meio de leilão de linha. Nesta quinta, o BC já anunciou o leilão de sexta, que ocorrerá na parte da manhã.
"Se julgar apropriado, o Banco Central do Brasil realizará operações adicionais", informou o BC, em nota. De acordo com o comunicado, o objetivo é prover hedge (proteção) cambial aos agentes econômicos e liquidez ao mercado de câmbio.
Dólar dispara - A moeda americana rompeu nesta semana o patamar de 2,45 reais e fechou nesta quinta-feira com valorização acumulada desde maio de 21,51%. A alta do dólar tem causado preocupação em relação à inflação e ao endividamento das empresas brasileiras.
A subida da moeda ganhou amplitude depois da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Segundo a ata, a maioria dos doze integrantes do comitê americano de política monetária concorda que uma mudança no programa de compra de títulos do Tesouro ainda não é apropriada.
O mercado aguardava que o documento trouxesse algum esclarecimento sobre quando o Fed dará início à redução dos estímulos monetários. O próprio presidente do Fed, Ben Bernanke, deu a entender que isso pode ocorrer ainda em 2013. O documento mostra, no entanto, que o órgão ainda não chegou a uma conclusão sobre o tema. Tal incerteza tem feito com que as moedas de diversos países — sobretudo os emergentes — se desvalorizem.
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Mercado aprova - A medida foi bem recebida por economistas do mercado financeiro, que destacaram que o programa reduzirá a volatilidade no mercado, mas sustentaram que o viés do dólar é de alta em relação ao real.
Para o economista-chefe do INVX Global, Eduardo Velho, a medida mostra que o BC não quer utilizar a política monetária, elevando a taxa básica de juros, para conter a valorização do dólar no Brasil. "O BC sinaliza que ele não vai dar um choque monetário. Ele vai usar a política cambial para cobrir essa demanda", disse Velho.
Desde de outubro de 2008, o BC não adotava um programa de intervenção cambial tão grande. Na ocasião, auge da crise internacional, o BC fez um programa de injeção de 50 bilhões de dólares no mercado.

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