Governo pode ter de pagar R$ 24 bi para corrigir manobras ficais
Valor do passivo que o Tesouro tem com Banco do Brasil e BNDES fazem parte das chamadas 'pedaladas', que serão julgadas pelo TCU na quarta-feira
Segundo especialistas em contas públicas, como os economistas José Roberto Afonso e Mansueto Almeida, essas dívidas do Tesouro com os bancos públicos fazem parte das manobras fiscais, já que o governo aumentou muito os programas subsidiados oferecidos pelos bancos, controlados pela União, sem, no entanto, elevar na mesma proporção os pagamentos devidos a esses bancos.
Relatório técnico do TCU obtido pelo jornal Folha de S. Paulo aponta que erros seguidos em projeções econômicas, com uso de parâmetros, em geral, otimistas, elevaram artificialmente as previsões de receita do orçamento federal e deram origem às manobras usadas pelo governo Dilma. O documento indica em que, em quatro anos, a diferença entre o que se projetou e o que de fato entrou no caixa foi de 251 bilhões de reais.
De acordo com as demonstrações contábeis do Banco do Brasil para o primeiro trimestre, o Tesouro ainda deve 12,7 bilhões de reais com a equalização dos juros oferecidos pelo BB com crédito agrícola. Com o BNDES, o passivo do Tesouro era de 8,8 bilhões de reais em restos a pagar registrados para este ano e outros 5 bilhões de reais gerados já em 2015. Até abril, no entanto, o governo pagou quase 2 bilhões de reais do que devia ao BNDES, restando portanto um saldo que chegará a 11,8 bilhões de reais. Somados, os passivos do Tesouro com BB e BNDES chegam a 24,5 bilhões de reais.
'Pedaladas' podem impedir avaliação das contas do governo Dilma no TCU
Governo 'se arma' para conseguir aprovar contas de 2014 no TCU
Tombini diz que pagamentos de bancos públicos ao governo não ferem LRF
A decisão que será tomada pelo ministro relator é crucial, porque embasa os demais sete votos da corte. Em caso de empate da decisão - quatro a quatro -, o processo segue para o nono voto, que seria dado pelo presidente do TCU, Aroldo Cedraz. Na segunda-feira, os ministros passaram o dia em reuniões. Há propostas que vão desde um parecer adverso pontual - espécie de reprovação apenas das "pedaladas" - até a rejeição total das contas.
Se a decisão do TCU for desfavorável ao governo, o julgamento abrirá caminho para a rejeição das conta de Dilma no Congresso, um processo que pode levar anos e oferecerá novos argumentos para a oposição defender o impeachment da presidente.
Comentários
Postar um comentário