Pular para o conteúdo principal

Governo cede em projeto de lei que eleva carga tributária das empresas

Ministro Joaquim Levy aceitou ceder na elevação das alíquotas para quatro setores: Call Center, Comunicação Social, Alimentos da Cesta Básica e Transporte Urbano

O ministro da Fazenda Joaquim Levy durante almoço com empresários em São Paulo - 12/06/2015
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy(Reuters)
Em meio à incerteza sobre a data da votação do Projeto de Lei (PL) 863/15, que muda a política de desoneração de impostos para empresas, o governo aceitou dar tratamento diferenciado a quatro setores que fazem parte do projeto. O Palácio do Planalto considera o acordo essencial para que o governo consegua aprovar a medida, pautada para ser votada nesta semana na Câmara dos Deputados.
De acordo com o líder do Governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o governo cedeu ao relator do tema, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), e aceitou "condições diferenciadas" para os setores de Call Center, Comunicação Social, Alimentos da Cesta Básica e Transporte Urbano.
Parte das propostas editadas pelo governo para equilibrar as contas públicas, o projeto de lei reverte as desonerações da folha de pagamento de mais de 50 setores da economia e ajuda o governo em seu esforço fiscal. "O ministro (da Fazenda Joaquim) Levy se convenceu, me parece, da necessidade de fazer concessões para que o projeto possa ter a sua aprovação efetivada", disse o relator da proposta, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), após reunião com líderes da base, o ministro da Fazenda, e o vice-presidente e articulador do governo Michel Temer, entre outros.
O relator disse a jornalistas que, se aprovado como está, o projeto poderia gerar uma recomposição de receitas de aproximadamente 3 bilhões de reais ainda neste ano. Na mesma linha, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que é melhor construir um acordo em torno do projeto, mesmo que não seja o originalmente idealizado. "Você pode perder um anelzinho do dedinho mindinho, mas não perde a centralidade que é a espinha dorsal do projeto", disse Guimarães.
O texto do governo prevê um incremento de 150% nas alíquotas cobradas atualmente. Pelo acordo selado nesta terça, os quatro setores que receberão tratamento diferenciado - comunicação social, transporte de passageiros, call centers, e empresas envolvidas na produção de alimentos da cesta básica - terão suas alíquotas elevadas em 50%.
Segundo o líder do governo, a ideia é votar o projeto entre a quarta a quinta-feira na Câmara dos Deputados, e na próxima semana no Senado, para que seja sancionado até o dia 30 de junho. Antes, no entanto, deputados devem votar a MP 670, que corrige a tabela do imposto de renda da pessoa física.
O ministro da Fazenda Joaquim Levy conta com a votação do projeto até o fim do mês para conseguir completar as medidas de ajuste fiscal. Ele fez essa declaração após ser questionado por jornalistas ao chegar no Ministério da Fazenda, nesta terça. Caso o Congresso Nacional não aprove todas as medidas do ajuste fiscal, o governo pretende revisar a meta de superávit primário de 66,3 bilhões de reais para o setor público ou 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas do país.
"Continuamos o trabalho do fortalecimento fiscal, que é absolutamente necessário. Temos de manter o ajuste, sem prejuízo de todas as coisas que a gente vem fazendo. Apoiar as exportações, apoiar a indústria. Acho que o ajuste fiscal tem evoluído. Tem confiança e é importante. Acho que a deveríamos ter como meta essa parte da desoneração votada até o final deste mês. Acho que essa é a meta fiscal que temos de ter no momento", disse.
LEIA TAMBÉM:
Com medo de derrota, Planalto quer adiar votação da desoneração
Câmara adia para junho votação sobre redução de desoneração da folha
As mudanças, enviadas pelo governo por meio de medida provisória e levadas ao Congresso Nacional no início de março, voltam a onerar setores que estavam em regime especial de tributação. Convertida em Projeto de Lei (PL) 863/15, a pedido de Renan Calheiros, a desoneração atingia, inicialmente, 56 setores da economia. Sua aprovação é necessária para completar o plano de ajuste fiscal. No entanto, apesar da indicação do ministro, há poucas chances de o projeto ser votado antes do recesso de julho, tendo em vista que restam apenas duas semanas para que ele passe pela Câmara e pelo Senado.
(Com Agência Brasil e Reuters)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Procurador do DF envia à PGR suspeitas sobre Jair Bolsonaro por improbidade e peculato Representação se baseia na suspeita de ex-assessora do presidente era 'funcionária fantasma'. Procuradora-geral da República vai analisar se pede abertura de inquérito para apurar. Por Mariana Oliveira, TV Globo  — Brasília O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Isac Nóbrega/PR O procurador da República do Distrito Federal Carlos Henrique Martins Lima enviou à Procuradoria Geral da República representações que apontam suspeita do crime de peculato (desvio de dinheiro público) e de improbidade administrativa em relação ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). A representação se baseia na suspeita de que Nathália Queiroz, ex-assessora parlamentar de Bolsonaro entre 2007 e 2016, período em que o presidente era deputado federal, tinha registro de frequência integral no gabinete da Câmara dos Deputados  enquanto trabalhava em horário comerc...
Lula se frustra com mobilização em seu apoio após os primeiros dias na cadeia O ex-presidente acreditou que faria do local de sua prisão um espaço de resistência política Compartilhar Assine já! SEM JOGO DUPLO Um Lula 3 teria problemas com a direita e com a esquerda (Foto: Nelson Almeida/Afp) O ex-presidente  Lula  pode não estar deprimido, mas está frustrado. Em vários momentos, antes da prisão, ele disse a interlocutores que faria de seu confinamento um espaço de resistência política. Imaginou romarias de políticos nacionais e internacionais, ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, representantes de entidades de Direitos Humanos e representantes de movimentos sociais. Agora, sua esperança é ser transferido para São Paulo, onde estão a maioria de seus filhos e as sedes de entidades como a CUT e o MTST.
Atuação que não deixam dúvidas por que deveremos votar em Felix Mendonça para Deputado Federal. NÚMERO  1234 . Félix Mendonça Júnior Félix Mendonça: Governo Ciro terá como foco o desenvolvimento e combate às desigualdades sociais O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) vê com otimismo a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. A tendência, segundo ele, é de crescimento do ex-governador do Ceará. “Ciro é o nome mais preparado e, com certeza, a melhor opção entre todos os pré- candidatos. Com a campanha nas Leia mais Movimentos apoiam reivindicação de vaga na chapa de Rui Costa para o PDT na Bahia Neste final de semana, o cenário político baiano ganhou novos contornos após a declaração do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, que reivindicou uma vaga para o partido na chapada majoritária do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018. Apesar de o parlamentar não ter citado Leia mais Câmara aprova, com...