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Putin diz a Obama que envolvimento da Rússia em crise é "especulação"

Em conversa telefônica com o presidente americano, o mandatário russo pressionou os EUA a impedirem o uso de força militar no leste da Ucrânia

Manifestante segura cartaz contra o presidente russo Vladimir Putin durante protesto em frente a embaixada da Rússia, no Canadá
Manifestante segura cartaz contra o presidente russo Vladimir Putin durante protesto em frente a embaixada da Rússia, no Canadá (Chris Wattie/Reuters)
Após a considerável escalada de tensão no leste da Ucrânia, os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin conversaram por telefone sobre os últimos acontecimentos referentes à crise no país. Conforme nota emitida nesta segunda-feira pelo Kremlin, Obama expressou preocupação com a possibilidade de Moscou estar envolvido nos ataques de militantes russos contra prédios do governo ucraniano, ao que Putin respondeu que tudo não passa de mera “especulação baseada em informações imprecisas”. O comunicado acrescenta que ambos os mandatários concordaram em seguir com as negociações diplomáticas sobre o assunto, embora novas sanções contra os russos continuem sendo discutidas pelos Estados Unidos.
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O jornal The Guardian informou que a Casa Branca não divulgou a sua versão da conversa até o momento. No relato emitido pelos russos, Moscou volta a atropelar a soberania ucraniana ao sugerir que as “atuais autoridades ucranianas pensem primeiramente em envolver todas as forças políticas e regionais em um processo transparente para desenvolver uma nova constituição que garanta os direitos e liberdades dos cidadãos, a estrutura federal da nação e o status de não alinhamento”. Em vista das últimas ameaças feitas por Kiev, Putin pressionou os Estados Unidos a “usarem todas as suas capacidades para impedir o uso da força e o derramamento de sangue” no leste ucraniano.

O governo interino do país passou a considerar o envio de tropas após manifestantes pró-Moscou não respeitarem o prazo limite para a desocupação dos prédios públicos invadidos em Donetsk, Lugansk e outros municípios da região. Logo após cogitar o uso da força contra os militantes, Kiev foi alertada novamente pelo ministério das Relações Exteriores da Rússia de que qualquer operação militar na região desencadearia uma “guerra civil”. O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, chegou a solicitar às Nações Unidas que uma força de paz fosse organizada para coibir “atos de terrorismo” na região leste.
Acredita-se que a Rússia tenha cerca de 40.000 tropas postadas na fronteira com a Ucrânia. A mobilização militar ocorreu após a península da Crimeia ser anexada ilegalmente ao território russo. Além dos soldados, Moscou também autorizou o envio de aviões de guerra, tanques e peças de artilharia para apoiarem uma possível invasão por terra. Fotos divulgadas na última semana pela Otan mostravam que o Exército russo poderia cumprir com os seus objetivos no leste ucraniano em apenas 12 horas. Para forçar um recuo de Putin, os Estados Unidos vêm discutindo com a União Europeia a aprovação de novas sanções econômicas contra o país.
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Ministros do bloco econômico concordaram em adicionar o nome de mais quatro pessoas à lista dos sancionados que tiveram seus bens congelados em países da União Europeia, incluindo o presidente deposto Viktor Yanukovich. A relação, que agora conta com 22 nomes, deverá ser atualizada com a identidade dos demais sancionados em um comunicado a ser feito nesta terça-feira. A Casa Branca também emitiu uma nota dizendo que Obama conversou com o presidente francês, François Hollande, e se propôs a impor “custos significativos” à Rússia se a postura desafiadora for mantida. Além das sanções, a União Europeia acordou um pacote de 1 bilhão de euros em ajuda para balancear os problemas econômicos enfrentados pela Ucrânia.
Voo rasante - Um militar americano disse à Associated Press que um caça russo fez ao menos doze voos rasantes sobre um navio de guerra americano que está ancorado no Mar Negro, em uma região ao leste da Romênia. A provocação, ocorrida no sábado, teria durado pelo menos 90 minutos. A embarcação foi movida para o leste europeu após os primeiros indícios de que a Rússia planejava uma incursão militar na península da Crimeia.

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