Oposição e regime sírio não se encontrarão em Genebra
Ao contrário do que a ONU queria, rivais terão encontros separados com negociadores. Oposição se recusa a sentar-se à mesma mesa com o regime
O ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moualem, com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (Reuters)
O emissário especial da ONU para a Síria, Lakhdar Brahimi, planejava se reunir com a delegação do governo a partir das 11h00 (08h00 de Brasília) e com o grupo da oposição durante a tarde, após as 16h00 (13h00 de Brasília), declarou a porta-voz. "Avançamos passo a passo", acrescentou. Segundo fontes das duas delegações, a oposição se negou a se sentar à mesma mesa que o regime, alegando que o governo sírio deveria aceitar o princípio de um governo de transição sem Assad antes de iniciar negociações diretas.
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Pessimismo – De acordo com relatos de diplomatas que participaram das reuniões em Montreux, antes do encontro de Genebra, os representantes sírios do regime e da oposição estão mantendo um “diálogo de surdos” que torna praticamente impossível chegar a um acordo para frear a guerra civil e construir um governo de transição. Houve ainda acusações mútuas de traição entre opositores e defensores de Assad e, com isso, a conferência de paz em transcorreu em um ambiente de tensão e divergências.
Mortes em Damasco – O regime sírio afirmou nesta sexta-feira que o exército matou nos últimos dias mais de cinquenta “terroristas”, como as autoridades chamam os opositores, que tentaram atacar um mosteiro na cidade de Sednaya, ao Norte de Damasco. A agência de notícias oficial Sana afirmou que os supostos terroristas tentaram assaltar o Mosteiro dos Querubins, mas as forças armadas impediram.
Ao todo, vinte insurgentes morreram em uma emboscada dos soldados no caminho que leva ao local. Após o ataque frustrado, os agressores lançaram dezenas de bombas dos arredores, que caíram dentro do mosteiro e só causaram danos materiais, segundo a agência. Templo do catolicismo ortodoxo grego, o mosteiro foi construído no século VI e no passado foi um centro de peregrinação cristã.
Desde abril de 2011, a guerra civil na Síria já matou pelo menos 130.000 e levou mais de 2,4 milhões de pessoas se refugiarem em países vizinhos. Os opositores e diversas milícias lutam pela saída do ditador Assad, que comanda o país desde 2000. Ele é filho do também ditador Hafez Assad, que comandou a Síria por 30 anos.
(Com agência France-Presse)
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