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Para chanceler brasileiro, discussão sobre espionagem ainda não acabou

Luiz Fernando Figueiredo foi a Washington ouvir esclarecimentos da chefe do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Susan Rice

Ministro das Relações Exteriores brasileiro Luiz Alberto Figueiredo
Ministro das Relações Exteriores brasileiro Luiz Alberto Figueiredo (AP)
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Fernando Figueiredo, disse nesta quinta-feira, em Washington, que a reunião que teve com a chefe do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Susan Rice, não encerra o processo de discussão entre os dois países em torno da atuação dos serviços de espionagem americanos. "As explicações serão analisadas pelo governo brasileiro e a presidente Dilma vai determinar os próximos passos".
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"Saio igual", afirmou o ministro em resposta a uma pergunta sobre se deixava o encontro mais otimista com o relacionamento bilateral. "Não é uma conversa no meu nível e no nível dela que levará a uma melhoria das relações." Figueiredo disse ainda que a reunião não esgotou os esclarecimentos que haviam sido pedidos pelo Brasil.
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Os esclarecimentos prestados por Rice sobre as tênues mudanças anunciadas recentemente pelo presidente Barack Obama nos programas de vigilância devem ser relatados por Figueiredo à presidente Dilma Rousseff nesta sexta-feira. Segundo o Itamaraty, durante o encontro desta quinta não foi discutida uma nova data para uma visita da presidente à Casa Branca. A viagem que estava marcada para outubro do ano passado foi cancelada depois que documentos vazados pelo ex-analista de inteligência Edward Snowden apontaram que a Agência Nacional de Segurança americana monitorou comunicações da presidente e também espionou dirigentes da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na época, o governo disse que uma nova data para a viagem só seria discutida depois do processo de revisão da atuação dos serviços de espionagem, caso as mudanças fossem consideradas satisfatórias pelo Brasil.
No discurso que fez na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, Dilma disse que esperava um pedido de desculpas e "esclarecimentos" dos americanos em relação à ação da NSA. Figueiredo se recusou a dizer se a reivindicação de pedidos de desculpas foi reiterada. "O governo americano tem plena consciência do que para nós é fundamental."
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No dia anterior, o vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, havia declarado em entrevista coletiva que Rice apresentaria a Figueiredo as mudanças anunciadas por Obama há dez dias, em especial a determinação de que a NSA não monitore comunicações de líderes de países aliados, a menos em casos de perigo à segurança nacional, e extensão a cidadãos estrangeiros de algumas das garantias de privacidade aplicadas aos americanos.
Merkel – No discurso inaugural de seu terceiro mandato, a chanceler alemã Angela Merkel, que, assim como Dilma, também teve suas comunicações pessoais espionadas pela NSA, criticou a rede de espionagem do governo americano. “Um programa em que os fins justificam todos os meios, e em que tudo que é tecnicamente possível é usado, viola a confiança e espalha desconfiança. No fim, isso produz cada vez menos segurança”, disse. Em conjunto com o Brasil, a Alemanha introduziu em dezembro do ano passado uma resolução contra a espionagem na Assembleia Geral da ONU.

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