Pular para o conteúdo principal

Governo sonda mercado e já cogita cortar R$ 30 bilhões do Orçamento

Equipe econômica conversa com analistas para definir uma meta crível de superávit primário e definir contingenciamento ideal para o Orçamento, que deve ser anunciado em fevereiro

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland
Escaldada pelas fortes críticas, a equipe econômica começou nos últimos dias uma nova estratégia para definição da meta fiscal da União, de modo a evitar novos atritos com o mercado financeiro no ano em que a presidente Dilma Rousseff tentará se reeleger. Em consultas a economistas do setor privado, o governo fez uma sondagem coletando os valores da meta fiscal e do corte do Orçamento que seriam aceitos como "críveis" pelo setor privado.
Do mercado, a área econômica tem ouvido sobre a importância de focar muito mais na qualidade do que na quantidade do resultado. E que não daria muito certo anunciar um contingenciamento grande, mas baseado em gastos obrigatórios.
Analistas ouvidos pelo governo têm citado que é melhor anunciar um corte mais próximo de 30 bilhões de reais, mas com uma consistência maior, do que se comprometer com cifras muito mais altas, mas que não resistiria à primeira coletiva de imprensa.
Leia também:
Obras do TCU custarão R$ 128 mi aos cofres públicos
Governo fecha 2013 com arrecadação recorde: R$ 1,1 tri

Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, a sondagem foi feita pela área do secretário de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, Márcio Holland. Técnicos da SPE e o próprio secretário têm ligado para os analistas para sondar sobre as expectativas em relação à gestão da política fiscal. A equipe do secretário fez um amplo relatório que será encaminhado para a presidente Dilma Rousseff e servirá para embasar a decisão sobre o primeiro relatório de reprogramação financeira de receitas e despesas do Orçamento, documento que funciona como o mais importante sinal fiscal do ano.
Com o retorno do ministro da Fazenda, Guido Mantega, das férias, as discussões sobre a política fiscal a ser implementada em 2014 começaram na segunda-feira. A meta em discussão está entre 1,7% e 1,9% do PIB, que seria o máximo possível na atual conjuntura. Não está descartado que o anúncio seja de 2% do PIB, valor mais próximo ao que o mercado deseja, o que seria atingido com um bloqueio maior de despesas do Orçamento.
Espaço — Segundo uma fonte, o secretário Holland está bem ativo nessa tarefa de "convencimento" do mercado e vem ocupando um espaço importante dentro do governo na tarefa de reforçar a credibilidade e afastar o risco de rebaixamento da nota - área do secretário do Tesouro, Arno Augustin. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, também saiu em campo publicamente para falar sobre a política fiscal e sobre as expectativas do governo para 2014.
A percepção de outro analista foi de que o governo está querendo "modular expectativas", para fazer com que o pronunciamento do contingenciamento e da meta fiscal de 2014 seja um sucesso. A fonte disse que Holland não deu nenhuma sinalização, mas deu a entender que o governo está buscando a "maior meta possível" - ou seja, que não vai fazer loucuras.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Procurador do DF envia à PGR suspeitas sobre Jair Bolsonaro por improbidade e peculato Representação se baseia na suspeita de ex-assessora do presidente era 'funcionária fantasma'. Procuradora-geral da República vai analisar se pede abertura de inquérito para apurar. Por Mariana Oliveira, TV Globo  — Brasília O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Isac Nóbrega/PR O procurador da República do Distrito Federal Carlos Henrique Martins Lima enviou à Procuradoria Geral da República representações que apontam suspeita do crime de peculato (desvio de dinheiro público) e de improbidade administrativa em relação ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). A representação se baseia na suspeita de que Nathália Queiroz, ex-assessora parlamentar de Bolsonaro entre 2007 e 2016, período em que o presidente era deputado federal, tinha registro de frequência integral no gabinete da Câmara dos Deputados  enquanto trabalhava em horário comerc...
Atuação que não deixam dúvidas por que deveremos votar em Felix Mendonça para Deputado Federal. NÚMERO  1234 . Félix Mendonça Júnior Félix Mendonça: Governo Ciro terá como foco o desenvolvimento e combate às desigualdades sociais O deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) vê com otimismo a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. A tendência, segundo ele, é de crescimento do ex-governador do Ceará. “Ciro é o nome mais preparado e, com certeza, a melhor opção entre todos os pré- candidatos. Com a campanha nas Leia mais Movimentos apoiam reivindicação de vaga na chapa de Rui Costa para o PDT na Bahia Neste final de semana, o cenário político baiano ganhou novos contornos após a declaração do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, que reivindicou uma vaga para o partido na chapada majoritária do governador Rui Costa (PT) na eleição de 2018. Apesar de o parlamentar não ter citado Leia mais Câmara aprova, com...
Lula se frustra com mobilização em seu apoio após os primeiros dias na cadeia O ex-presidente acreditou que faria do local de sua prisão um espaço de resistência política Compartilhar Assine já! SEM JOGO DUPLO Um Lula 3 teria problemas com a direita e com a esquerda (Foto: Nelson Almeida/Afp) O ex-presidente  Lula  pode não estar deprimido, mas está frustrado. Em vários momentos, antes da prisão, ele disse a interlocutores que faria de seu confinamento um espaço de resistência política. Imaginou romarias de políticos nacionais e internacionais, ex-presidentes e ex-primeiros-ministros, representantes de entidades de Direitos Humanos e representantes de movimentos sociais. Agora, sua esperança é ser transferido para São Paulo, onde estão a maioria de seus filhos e as sedes de entidades como a CUT e o MTST.