Cristina Kirchner reaparece depois de mais de um mês sem atos públicos
Em evento na Casa Rosada, lotada de militantes kirchneristas, presidente anunciou programa para jovens e fugiu de temas econômicos espinhosos
Cristina Kirchner fala com apoiadores na Casa Rosada (AFP)
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Os dezenove selos trazem o slogan ‘A década ganha’ – uma referência aos dez anos de kirchnerismo no poder – e têm ilustrações sobre programas oficiais, como o Futebol para Todos, por meio do qual, em uma jogada populista, a presidente estatizou as transmissões dos jogos pela TV. Ou o voto a partir dos 16 anos de idade, aprovado em 2012 com o intuito de aumentar a base de apoio à presidente, que já conta com a militância do grupo político juvenil La Cámpora, comandado por seu filho, Máximo. Ao lançar os novos selos, o Correio Argentino afirmou que eles refletem “políticas de igualdade, inclusão, construção de cidadania, direitos humanos, educação, ciência e outros avanços conquistados pelo país desde 2003”, informou o jornal Clarín.
Nesta quarta, a presidente falou sobre a questão em seu pronunciamento: “Alguns estavam irritados com os lindos selos. Eles têm o meu rosto, o de Néstor, o de Máximo ou Florencia?”, questionou, mencionando o marido, falecido em 2010, e os dois filhos.
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Para o público que quer ao seu lado, Cristina lançou um programa que dará uma ajuda mensal de 600 pesos (205 reais) a estudantes com idade entre 18 e 24 anos que não tenham emprego formal. “Esses jovens são filhos do neoliberalismo, seus pais não tinham trabalho. Precisam da presença do Estado para seguir adiante”, disse, segundo o Clarín.
Vale observar que o intervencionismo estatal na Argentina está acompanhado de uma inflação anual perto dos 30% – apesar de os dados oficiais maquiados terem registrado 10,9% em 2013 – escassez de dólares, controle de preços, esgotamento das reservas internacionais e ataques a empresários.
E, apesar do que prega o slogan dos selos recém-lançados, a presidente também admitiu nesta quarta que o Estado, sozinho, não consegue resolver todos os problemas. “Em uma década não é possível fazer tudo. Serão necessárias muitas décadas para recuperar tanto prejuízo social”.
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'Sumiço' – No final do ano passado, Cristina Kirchner ficou afastada da Presidência durante quarenta dias, depois de ser submetida a uma cirurgia para drenagem de um hematoma cerebral. No início deste ano, mais um longo período sem aparições públicas, explicado, em parte, porque a presidente tem acompanhado a mãe, Ofelia Wilhem, que se recupera de uma cirurgia. E também pela estratégia de poupar a imagem de Cristina após um dezembro marcado por greve das polícias provinciais, saques em massa e apagões.
Nesta quarta, a mandatária falou sobre seu ‘sumiço’ e chamou de “mentirosas” as informações de que enfrentava problemas de saúde. “Espero que amanhã ninguém critique a cadeia nacional, depois de tanta demanda pela minha presença”, disse, segundo o La Nación. “Queriam criar uma sensação nos argentinos de que eu já não tinha mais condições”.
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