Em carta aberta, Coreia do Norte pede clima de paz com Sul
Regime comunista fala em 'criar atmosfera de reconciliação e união' e no fim de atos militares hostis, mas quer suspensão de exercícios militares de EUA e Seul
A "proposta de paz", contudo, carrega consigo uma condição mais do que suficiente para o governo sul-coreano e seu principal aliado, os Estados Unidos, tratarem com bastante cautela a aparente "bandeira branca" hasteada por Pyongyang. Segundo a carta, a Coreia do Norte está disposta a iniciar a nova fase desde que Seul e Washington cancelem seus próximos exercícios militares na região, previstos para ocorrerem em algumas semanas, entre fevereiro e abril.
Leia também:
'Coreia do Norte está mais imprevisível que nunca', diz presidente sul-coreana
Segundo a mensagem do regime comunista, a realização de "atos militares hostis" é "o principal obstáculo" para melhorar as relações entre as duas Coreias. "As relações entre Norte e Sul só mostrarão uma sólida melhora quando as duas partes tomarem medidas realistas para prevenir desastres nucleares iminentes", afirma o regime norte-coreano, após insistir que a proposta é "sincera". Em declarações à imprensa, o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Wi Yong-seop, disse que a carta tem "motivação escondida".
Segunda proposta – O movimento da Coreia do Norte ocorre apenas dois dias depois que o governo de Pyongyang lamentou a recusa de Seul em relação a uma proposta, enviada pela mesma Comissão Nacional de Defesa em 16 de janeiro, de que EUA e Coreia do Sul cancelassem as manobras militares anuais de 2014. Como resposta a Pyongyang, Seul e Washington confirmaram que realizarão, conforme previsto, os exercícios militares Key Resolve e Foal Eagle na península coreana, orientados a coordenar a defesa em uma situação de conflito com o vizinho do Norte.
Leia mais: Coreia do Norte alerta Seul e EUA contra exercícios 'provocativos'
A Coreia do Sul e os EUA suspeitam que a proposta de paz norte-coreana possa servir como justificativa para futuras hostilidades, já que Pyongyang sabe que os aliados dificilmente aceitariam cancelar os exercícios anuais de defesa. No ano passado, essas manobras militares, juntamente com novas sanções da ONU por causa do último teste nuclear de Pyongyang, desencadearam uma longa e intensa campanha de hostilidades por parte do regime de Kim Jong-un, que ameaçou seus "inimigos" em várias ocasiões com ataques armados.
Pyongyang prometeu no domingo passado responder ao Key Resolve e ao Foal Eagle deste ano com "fortes medidas de autodefesa", em uma de suas frequentes ameaças devido às iminentes manobras de Seul e Washington na região. Já a carta aberta divulgada nesta sexta-feira pode ser considerada uma das declarações mais concicliatórias e menos hostis em anos, uma aparente contradição na histórica disputa retórica entre os dois países da península coreana.
(Com agência EFE)
Comentários
Postar um comentário